FELIZ / HAPPY 2019

Do meu sketchbook, os meus melhores votos de felicidades e de esperanças sempre renovadas.

20181231_211752-1

P.S.: e se esta mensagem não agradar a alguns… Já sei que tipo de gente é (além de mal-educada – e cara feia, para mim, é fome), rssssssss

Festas, mais uma vez

Apesar dos livros de colorir terem sido MAIS UM modismo passageiro no Brasil (e fico pasma como tanta coisa no País é movida a modismo, até raça de cachorro), tomei gosto por esse passatempo e nele fiquei, como uma maneira de preencher as horas vagas (juntamente com os meus desenhos e ilustrações). Aliás, quando colorir era “moda”, aproveitei a onda para escolher a dedo os livros publicados e tipos de temática: além das mandalas e dos jardins, outros temas de minha preferência foram as padronagens (gráficas ou florais). Adquiri uns poucos livros, preferindo aqueles que se encaixassem no formato A4 para menos, de modo a caber no meu scanner-impressora para que eu pudesse copiar páginas aleatoriamente escolhidas, a fim de colorir inúmeras variações de um mesmo desenho. (Como se pode ver, não coloria direto no livro!) Por fim, para dar um up no meu escritório, prego a “variação colorida em torno do tema” no mural de cortiça para enfeitar a parede, até que eu pinte um novo desenho, ou nova variação de outro.

E quando as festas de fim de ano chegam, a hora é de colorir temas natalinos para pregar no mural, para lá ficarem durante todo o mês de dezembro.

Neste ano resolvi usar giz de cera mesmo. Descobri que não gosto muito de lápis de cor. Bem, artes também têm disso: em um dado momento, você se surpreende preferindo mais determinadas técnicas, materiais e suportes a outros.

20181211_122953

Brasília, 50 anos depois

[Sempre revirando meus alfarrábios, republico este artigo sobre o cinquentenário da cidade de Brasília – fundada em 1960 -, originalmente escrito para ser publicado em 2010 no portal MULTARTE Arte e Cultura Brasileira]

Brasília, 50 Anos Depois

“Tenho a impressão de que estou desembarcando num planeta diferente, não na Terra”.

A declaração é do astronauta russo Yuri Gagarin, primeiro homem a viajar para o espaço, quando visitou Brasília – então recém-inaugurada capital administrativa do Brasil – em 1961, para receber do presidente Jânio Quadros a medalha da Ordem do Cruzeiro do Sul. Isto em 61, apenas um ano depois da inauguração da cidade. Gagarin, no entanto, não viveria muito; faleceu em 1968, aos 34 anos de idade, durante um vôo de treino. Não viveria sequer para ver as transformações que a cidade teria, ao longo de cinco décadas de existência, “a cidade mais nova do planeta”, de acordo com matéria publicada no jornal italiano La Reppublica, sobre o cinquentenário de la capitale-bambina.

O engraçado é que, ao pensar sobre como escreveria este artigo, a frase de Gagarin veio a esta escriba que vos tecla quase como que “por osmose”, em uma pesquisa online pelos Googles da vida (sim, ironicamente pelo CIBERespaço, com o perdão de possíveis trocadilhos; definitivamente, a vida dá voltas), em uma reflexão sobre a perspectiva modernista que a Geometria trouxe para a Arte e para a formação dos espaços urbanos e domésticos do mundo, do século 20 em diante. A reflexão de alguém que simplesmente mora em Brasília, vivendo a cidade como ela é, a cada dia, longe das idealizações de alguns e do pessimismo de outros.

Assim, de maneira significativa, a declaração de Gagarin nos dá uma eloquente dimensão do impacto provocado pela modernidade das linhas urbanísticas e arquitetonicamente arrojadas da cidade então recém construída, somadas a uma engenharia incrivelmente intuitiva, décadas antes dos advento dos computadores na vida quotidiana.

Sem perder-se nos chavões já ditos (e desditos) sobre a cidade, embutidos em repetitivos bê-a-bás de livros didáticos escolares e de discursos políticos – filão ainda infelizmente inesgotável -, Brasília é uma cidade que, cinquenta anos depois, merece ser vista sob uma nova perspectiva, um novo olhar, após décadas de desgastes políticos e de indiferença litorânea.

Problemas? Sim, Brasília – também – os têm, como qualquer grande centro urbano no país e no mundo. E talvez seja esse o destino das grandes cidades: a turbulenta coexistência, através dos tempos, entre o lado grandioso, representado pela prosperidade, pelas atrações e glamour locais, e o lado deprimente caracterizado pelos menos desfavorecidos que vivem à margem da prosperidade alcançada por outros, em toda parte. Como declarou Lúcio Costa, o urbanista responsável pelo traçado em formato de avião como verdadeira pedra fundamental da cidade, em declaração ao Jornal do Brasil em 1984, observando a população da plataforma da rodoviária: “Isto tudo é muito diferente do que eu tinha imaginado para esse centro urbano, como uma coisa requintada, meio cosmopolita. Mas não é. Quem tomou conta dele foram esses brasileiros verdadeiros que construíram a cidade e estão ali legitimamente. É o Brasil… Eles estão com a razão, eu é que estava errado.” Assim são os grandes centros na vida real, através dos tempos, e Brasília não é diferente neste processo – somado à afluência, à convergência de gente vinda de muitos lugares, do país e também do mundo, onde alguns chegam para ficar e outros não, como em qualquer outro lugar do planeta.

brasília nasceu
de um gesto primário
dois eixos se cruzando,
ou seja, o próprio sinal da cruz

como quem pede bênção
ou perdão

Assim sintetiza o poeta Nicholas Behr, brasiliense de fato, sobre esta gênese candanga, o traçado original de Lúcio Costa.

Passados 50 anos – que só parecem reforçar ainda mais o seu significado -, a declaração de Gagarin possibilita dois tipos de interpretação, basicamente duas vertentes quanto à atitude perante Brasília: uma otimista, quase de fundo místico (geralmente explorada para fins políticos), daqueles que apostam no potencial da da cidade e na sua constante afluência de pessoas originárias dos vários cantos do país bem como de outras partes do mundo (posto que abriga embaixadas de diversos países), com suas respectivas bagagens culturais, e outra pessimista, dos que vêem a cidade com inconformismo, quiçá saudosismo dos tempos em que a simples perspectiva de uma mudança de capital não representava algum tipo de desestabilização a este ou aquele status quo. E, equilibrando-se sobre esta verdadeira gangorra balançada pelos altos e baixos dos estados de espírito e dos interesses de ordem político-econômica, Brasília tem atravessado estas cinco décadas – e outras mais, que passarão e sempre trarão perspectivas de mudanças, de transformações, de (re)construções e de (re)começos. Afinal as “tempestades”, mesmo as de “copo d’água”, passam, e a cidade continua a existir entre nós.

Novamente Nicholas Behr, capaz de sintetizar a plasticidade, a comédia e a tragédia brasilienses em versos, é quem diz:

não ficará carimbo
sobre carimbo

e carimbo sobre carimbo
reconstruiremos a cidade

sem carimbos

Iracema Brochado
Brasília, DF, 15/04/2010

senac-df-2009-2010-especializao-lato-sensu-em-artes-visuais_36928011101_o.jpg

passando a limpo

Após algumas experiências recentes, tenho passado os últimos meses a refletir sobre a minha própria maneira de relacionar não apenas com os outros, mas para comigo mesma também.

Sob este contexto, procurei rever antigos padrões e hábitos – viciosos -, incluídos os de comportamento. E desta forma venho tentando me conduzir ultimamente, a fazer estas revisões e combater velhos vícios.

atrj7213-effects

 

cores que ressuscitam

Graças a uma postagem de blog em inglês – encontrada em uma desesperada googlada para fins de resolução de problema – consegui recuperar uma aquarela ressecada de pouco mais de 20 anos, que nem pintava mais, não soltava cor, NADA. E salvar uma aquarela velha resultou mais simples do que se pensava: basta umedecê-la com um pouco de água e nela pingar outro pouco de goma arábica líquida (a postagem original manda usar a versão em pó mas, como nunca vi goma arábica com essa apresentação, usei minha goma arábica líquida da Talens, mesmo), deixando descansar por algum tempo – preferi deixar por uma boa semana, 7 dias, para curtir bem. Já ao cabo de poucas horas fez a diferença, como se a aquarela tivesse, literalmente, “ressuscitado”! Fiquei, claro, encantada por não precisar jogar fora algo que, no final das contas, tinha salvação.

Ou seria que a aquarela não estaria “morta”, apenas “adormecida”? Rsssss

A aquarela, de fabricação chinesa (nem lembro mais a marca, mas tinha uma águia na logo), originalmente cremosa em bisnagas de alumínio, virou “pastilha”, com cada cor – de um total de 12, a chamada paleta básica – guardada dentro de um mini godê de plástico (da marca Tigre) comprado especialmente para esse fim, como a foto abaixo mostra. O pote de plástico que guarda os godês foi comprado depois, simplesmente para organizá-los.

E, claro, a aquarela voltou a ser usada desde então, de vento em popa.

Aliás, a postagem à qual refiro fala também da recuperação, além da aquarela, de outros tipos de materiais artísticos como tintas guache, a óleo e acrílica. Vale a pena lê-la, e favoritá-la.

IMG_20180427_175347401_HDR.jpg

UPDATE: também apliquei o “remédio” em minha velha aquarela Page London, que tenho desde os 6 anos de idade. Apenas para umas 3 cores não houve jeito de recuperar. Mas isso não é nenhuma desgraça, uma vez que costumo usar aquarelas de marcas diferentes em um mesmo trabalho – uma marca complementa outra.

aquarela-page-london-1970-5

viajando em postais (de outra forma)

Como ilustradora, curto desenhar e pintar trabalhos sobre papel em tamanho cartão postal (A6, mais ou menos). Para a obtenção deste tamanho, basta cortar uma folha de papel tamanho A4, ou mesmo A3, até reduzi-lo ao tamanho em questão.

Considero este tamanho inclusive bastante prático para experiências – algumas bem sucedidas, outras não =) mas experiências são assim – com materiais e técnicas, sejam à base de água (como guache e aquarela), de base acrílica ou mesmo óleo – sim, pode-se pintar a óleo e acrílico sobre papel também, desde que o papel seja de boa gramatura – além de testar médiuns como vernizes, fixadores e secantes de acordo com cada tipo de material, e de papel também.

Aliás, sobre óleo/acrílico em papel, no Youtube existem diversos tutoriais a respeito (os que assisti estavam em inglês, como este), assim como postagens de blogs de artistas na Web, como esta. Nada que uma googlada – em português, inglês ou em outro idioma que se domine – não resolva, é o que faço, direto, para sanar dúvidas…

As obras abaixo são aquarelas.

IMG_20180304_103730948_HDR-COLLAGE.jpg

[UPDATE 10/12/2018] P.S.: pena que por aqui seja difícil de encontrar papel para aquarela já cortado – e impresso no verso – em formato cartão postal (quando encontrado, é invariavelmente importado).