paz de espírito, higiene mental & outras ‘assepsias’

Para quê passar a virada de ano em algum grande centro do além-Equador com o coração aos pinotes, com medo de ataques terroristas e outros cataclismas (sociais ou naturais, ou quem sabe os DOIS combinados, do jeito como as coisas andam nestes dias e tempos) – se parece mais apetecível passar esse período descansando corpo e mente em alguma boa e velha prainha honestamente subdesenvolvida, ou então uma montanha longe de tudo e de todos?

Chega de estressar-se irracionalmente.

Feliz 2012, de preferência longe dessas fobias =)

guess

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mom in the nest

mom in the nest by immb

mom in the nest, a photo by immb on Flickr.

Via Flickr:
at home, in the garden.

Life is life – whether in a cat, or dog or man. There is no difference there between a cat or a man. The idea of difference is a human conception for man’s own advantage. – Sri Aurobindo Ghosh

lembranças

Lembro-me bem das circunstâncias em que ouvi pela primeira vez as duas músicas abaixo, à época em que foram lançadas mesmo: estava convalescendo-me de uma doença – acho que caxumba, não me lembro ao certo, mas tratava-se de uma doença que havia me debilitado muito, deixando-me acamada por uma semana mais ou menos. Morava em Porto Alegre, então.

O mais curioso é que tal não chega a ser uma lembrança desagradável: apesar de debilitada pela doença, estava simplesmente descansando e o velho rádio portátil Philips, à cabeceira, que eu gostava de deixar ligado (sim, pelos anos 70 afora ouvir rádio ainda era muito bom, apesar do que dizem aí alguns idiotinhas metidos a descolados) e sintonizado na Rádio Pampa AM (à época BEM diferente do que é hoje, quando seguia uma linha mais pelo rock/pop mesmo), começou a tocar estas músicas. E eu, só escutando. Era legal ouvir… Proporcionaram um efeito repousante ao estado em que me encontrava, cuja lembrança guardo até hoje.

John Gray: Cachorros de Palha (podcasts)

Abrindo um parênteses à discussão abordada em Cachorros de Palha: curiosamente, a temática remeteu-me a Greystoke (o filme de 1984, baseado no livro homônimo de Edgar Rice Burroughs) o qual, de uma certa forma, já toca no ponto em que humanos e animais não são tão diferentes assim, além do embate entre o complexo de superioridade euroantropocêntrica e o que é considerado pelo mesmo como “o resto”.
Por isso, no ensejo da discussão apresentada pelo livro do filósofo britânico, reassisti ao filme ontem, cujo DVD tenho em casa. Sempre gostei desse filme, desde que o assisti no cinema à época de seu lançamento (tanto que fiz questão de adquirir o DVD). Vale lembrar que, ao contrário das variações “enlatadas” em torno da figura de Tarzan, as quais se sucederam até os nossos dias, o filme em questão se inspira diretamente na história original do “verdadeiro” Tarzan.
Fecha-se os parênteses.
Ainda no terreno da literatura, Cachorros de Palha divertidamente remeteu-me também a este trechinho de Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva, no qual parece ecoar aquela ideia sobre a finitude das criaturas e das coisas já apresentada no livro de John Gray:
Parabéns, Marcelo. Foram vinte anos bem vividos. […] Fique tranquilo, o Cassy sabe tocar algumas de suas músicas. Um dia, quando ele gravar um disco, irão saber que você existiu. Mas também, se não souberem, tanto faz. De que vale a eternidade? Um orgasmo dura poucos segundos. […] A história se fará com ou sem a sua presença. A morte é apenas um grande sonho, sem despertador para interromper. Não sentirá dor, medo, solidão. Não sentirá nada […]. O sol continuará nascendo. A terra se fertilizará com o seu corpo. Suas fotografias amarelarão nos álbuns de família. Um dia alguém perguntará:
– Quem é esse cara da fotografia?
– Ninguém que interesse.
Meu R.G. irá para outra pessoa. Meu violão se desintegrará em algum depósito de velharias. Meu gravador será roubado por um trombadinha. As cuecas, minhas irmãs poderão guardar para seus filhos, mas aconselho jogar fora, pois até lá já estarão fora de moda…

[Enquanto isso, acordes da música-tema de M.A.S.H. começam a tocar… Brincaderinha, hehehehe]

Por fim, para uma melhor contextualização da discussão apresentada em Cachorros de Palha, acrescentei outros três livros já lidos: Karmacola, da escritora indiana Gita Mehta, Como A Picaretagem Conquistou o Mundo, do jornalista britânico Francis Wheen (tal como John Gray, colaborador do jornal The Guardian) e Filosofias da Índia, de Heinrich Zimmer.

O engraçado é que alguns pontos apresentados pelo autor apresentam aspectos sobre os quais eu já vinha refletindo por causa de VIVÊNCIAS próprias (pura e simplesmente), no cotidiano nosso de cada dia. E, por mais uma das tantas “voltas que a vida dá” (pois que, como John Gray demonstra, a vida, a história não são mais do que isso: uma sucessão de idas e vindas, altos e baixos, quando não recaídas), deparo-me com o livro como que refletindo-me em um espelho. Um pequeno exemplo:

 À medida que as máquinas evoluem, elas acabarão tendo alma [que o diga Isaac Asimov, em seu Eu, Robô] – para usar uma forma de falar que antecede em muito o cristianismo. Nas palavras de Santayana: “O próprio espírito não é humano; ele pode surgir em qualquer vida; pode separar-se de qualquer provincianismo; assim como existe em todas as nações e religiões, também pode existir em todos os animais – e não se sabe se em muitos seres dos quais nem sonhamos, e no meio de quais mundos.”
Ao longo de toda história e pré-história, os animistas acreditaram que a matéria está cheia de espírito. Por que não dar as boas-vindas à prova viva dessa fé antiga?

Não foi pra menos que eu já havia lido, anos antes, A Natureza das Coisas – A Vida Secreta dos Objetos Inanimados, de Lyall Watson, outra leiturinha cotejada.

Quanto àqueles que acusam John Gray de ‘catastrofista’, provavelmente sentem-se ameaçados em algum tipo de status quo. Talvez.




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felicidade

Parece-me que “felicidade” é um daqueles conceitos em torno dos quais todo cidadão comum puxa a brasa para sua sardinha. Trocando em miúdos: cada qual querendo entender “felicidade” do seu jeito, na acepção egocêntrica da coisa – sim, porque um ranço hedonisticamente egocêntrico é inevitável aí, no entendimento do homem comum… Afinal, TODO MUNDO quer ser “feliz” para o seu lado, não é?

Neste contexto, pode-se começar a entender o que John Lennon certa vez sintetizou, em letra sua: “Deus é um conceito pelo qual medimos nossa dor”. (Se bem que, quanto à “lista” enumerada na letra, com a inclusão de alguns “itens” até concordo, e de outros nem tanto – mas essa já é outra discussão, esta sim dando pano para muita manga… Não obstante a bombástica declaração “THE DREAM IS OVER”, traumatizando meio mundo em verdadeira ressaca pós-sixties)

Porque, enquanto estamos bem (material e pessoalmente, para ser mais exato), não sentimos tanta necessidade de nos voltarmos para as chamadas coisas do espírito. Agora, já quando o “açúcar” falta… Tome reza, choradeira, promessas, novena, terços, autoflagelações, japamalas e quantos métodos as religiões em geral disponibilizarem aos seus desesperados fiéis.

Sob tal contexto portanto, é pertinente o que John Lennon praticamente sintetiza nesta letra, quase como em um haikai… Para a imensa maioria das pessoas de fato, Deus não representa mais do que isso: um “conceito através do qual medimos nossa dor”.

Mas talvez aí o desafio seja o de trancender algo… Rever, remodelar o conceito de “felicidade”, colocando-a além e acima do entendimento do homem comum: não mais entendendo-a como uma mera satisfação dos sentidos, como verdadeira liberação.

Tal processo é uma questão de tempo e de experiência.

Mas afinal, partindo-se da discussão apresentada pelo filósofo britânico John Gray em seu ‘Cachorros de Palha’: o que verdadeiramente se busca, ‘felicidade’ ou ‘salvação’? (E há quem confunda os dois)

Na velha ordem politeísta, tais contorcionismos metafísicos eram irrelevantes.

what seemed to be lost, has been found