felicidade

Parece-me que “felicidade” é um daqueles conceitos em torno dos quais todo cidadão comum puxa a brasa para sua sardinha. Trocando em miúdos: cada qual querendo entender “felicidade” do seu jeito, na acepção egocêntrica da coisa – sim, porque um ranço hedonisticamente egocêntrico é inevitável aí, no entendimento do homem comum… Afinal, TODO MUNDO quer ser “feliz” para o seu lado, não é?

Neste contexto, pode-se começar a entender o que John Lennon certa vez sintetizou, em letra sua: “Deus é um conceito pelo qual medimos nossa dor”. (Se bem que, quanto à “lista” enumerada na letra, com a inclusão de alguns “itens” até concordo, e de outros nem tanto – mas essa já é outra discussão, esta sim dando pano para muita manga… Não obstante a bombástica declaração “THE DREAM IS OVER”, traumatizando meio mundo em verdadeira ressaca pós-sixties)

Porque, enquanto estamos bem (material e pessoalmente, para ser mais exato), não sentimos tanta necessidade de nos voltarmos para as chamadas coisas do espírito. Agora, já quando o “açúcar” falta… Tome reza, choradeira, promessas, novena, terços, autoflagelações, japamalas e quantos métodos as religiões em geral disponibilizarem aos seus desesperados fiéis.

Sob tal contexto portanto, é pertinente o que John Lennon praticamente sintetiza nesta letra, quase como em um haikai… Para a imensa maioria das pessoas de fato, Deus não representa mais do que isso: um “conceito através do qual medimos nossa dor”.

Mas talvez aí o desafio seja o de trancender algo… Rever, remodelar o conceito de “felicidade”, colocando-a além e acima do entendimento do homem comum: não mais entendendo-a como uma mera satisfação dos sentidos, como verdadeira liberação.

Tal processo é uma questão de tempo e de experiência.

Mas afinal, partindo-se da discussão apresentada pelo filósofo britânico John Gray em seu ‘Cachorros de Palha’: o que verdadeiramente se busca, ‘felicidade’ ou ‘salvação’? (E há quem confunda os dois)

Na velha ordem politeísta, tais contorcionismos metafísicos eram irrelevantes.

what seemed to be lost, has been found