John Gray: Cachorros de Palha (podcasts)

Abrindo um parênteses à discussão abordada em Cachorros de Palha: curiosamente, a temática remeteu-me a Greystoke (o filme de 1984, baseado no livro homônimo de Edgar Rice Burroughs) o qual, de uma certa forma, já toca no ponto em que humanos e animais não são tão diferentes assim, além do embate entre o complexo de superioridade euroantropocêntrica e o que é considerado pelo mesmo como “o resto”.
Por isso, no ensejo da discussão apresentada pelo livro do filósofo britânico, reassisti ao filme ontem, cujo DVD tenho em casa. Sempre gostei desse filme, desde que o assisti no cinema à época de seu lançamento (tanto que fiz questão de adquirir o DVD). Vale lembrar que, ao contrário das variações “enlatadas” em torno da figura de Tarzan, as quais se sucederam até os nossos dias, o filme em questão se inspira diretamente na história original do “verdadeiro” Tarzan.
Fecha-se os parênteses.
Ainda no terreno da literatura, Cachorros de Palha divertidamente remeteu-me também a este trechinho de Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva, no qual parece ecoar aquela ideia sobre a finitude das criaturas e das coisas já apresentada no livro de John Gray:
Parabéns, Marcelo. Foram vinte anos bem vividos. […] Fique tranquilo, o Cassy sabe tocar algumas de suas músicas. Um dia, quando ele gravar um disco, irão saber que você existiu. Mas também, se não souberem, tanto faz. De que vale a eternidade? Um orgasmo dura poucos segundos. […] A história se fará com ou sem a sua presença. A morte é apenas um grande sonho, sem despertador para interromper. Não sentirá dor, medo, solidão. Não sentirá nada […]. O sol continuará nascendo. A terra se fertilizará com o seu corpo. Suas fotografias amarelarão nos álbuns de família. Um dia alguém perguntará:
– Quem é esse cara da fotografia?
– Ninguém que interesse.
Meu R.G. irá para outra pessoa. Meu violão se desintegrará em algum depósito de velharias. Meu gravador será roubado por um trombadinha. As cuecas, minhas irmãs poderão guardar para seus filhos, mas aconselho jogar fora, pois até lá já estarão fora de moda…

[Enquanto isso, acordes da música-tema de M.A.S.H. começam a tocar… Brincaderinha, hehehehe]

Por fim, para uma melhor contextualização da discussão apresentada em Cachorros de Palha, acrescentei outros três livros já lidos: Karmacola, da escritora indiana Gita Mehta, Como A Picaretagem Conquistou o Mundo, do jornalista britânico Francis Wheen (tal como John Gray, colaborador do jornal The Guardian) e Filosofias da Índia, de Heinrich Zimmer.

O engraçado é que alguns pontos apresentados pelo autor apresentam aspectos sobre os quais eu já vinha refletindo por causa de VIVÊNCIAS próprias (pura e simplesmente), no cotidiano nosso de cada dia. E, por mais uma das tantas “voltas que a vida dá” (pois que, como John Gray demonstra, a vida, a história não são mais do que isso: uma sucessão de idas e vindas, altos e baixos, quando não recaídas), deparo-me com o livro como que refletindo-me em um espelho. Um pequeno exemplo:

 À medida que as máquinas evoluem, elas acabarão tendo alma [que o diga Isaac Asimov, em seu Eu, Robô] – para usar uma forma de falar que antecede em muito o cristianismo. Nas palavras de Santayana: “O próprio espírito não é humano; ele pode surgir em qualquer vida; pode separar-se de qualquer provincianismo; assim como existe em todas as nações e religiões, também pode existir em todos os animais – e não se sabe se em muitos seres dos quais nem sonhamos, e no meio de quais mundos.”
Ao longo de toda história e pré-história, os animistas acreditaram que a matéria está cheia de espírito. Por que não dar as boas-vindas à prova viva dessa fé antiga?

Não foi pra menos que eu já havia lido, anos antes, A Natureza das Coisas – A Vida Secreta dos Objetos Inanimados, de Lyall Watson, outra leiturinha cotejada.

Quanto àqueles que acusam John Gray de ‘catastrofista’, provavelmente sentem-se ameaçados em algum tipo de status quo. Talvez.




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