FELIZ / HAPPY 2019

Do meu sketchbook, os meus melhores votos de felicidades e de esperanças sempre renovadas.

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P.S.: e se esta mensagem não agradar a alguns… Já sei que tipo de gente é (além de mal-educada – e cara feia, para mim, é fome), rssssssss

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Festas, mais uma vez

Apesar dos livros de colorir terem sido MAIS UM modismo passageiro no Brasil (e fico pasma como tanta coisa no País é movida a modismo, até raça de cachorro), tomei gosto por esse passatempo e nele fiquei, como uma maneira de preencher as horas vagas (juntamente com os meus desenhos e ilustrações). Aliás, quando colorir era “moda”, aproveitei a onda para escolher a dedo os livros publicados e tipos de temática: além das mandalas e dos jardins, outros temas de minha preferência foram as padronagens (gráficas ou florais). Adquiri uns poucos livros, preferindo aqueles que se encaixassem no formato A4 para menos, de modo a caber no meu scanner-impressora para que eu pudesse copiar páginas aleatoriamente escolhidas, a fim de colorir inúmeras variações de um mesmo desenho. (Como se pode ver, não coloria direto no livro!) Por fim, para dar um up no meu escritório, prego a “variação colorida em torno do tema” no mural de cortiça para enfeitar a parede, até que eu pinte um novo desenho, ou nova variação de outro.

E quando as festas de fim de ano chegam, a hora é de colorir temas natalinos para pregar no mural, para lá ficarem durante todo o mês de dezembro.

Neste ano resolvi usar giz de cera mesmo. Descobri que não gosto muito de lápis de cor. Bem, artes também têm disso: em um dado momento, você se surpreende preferindo mais determinadas técnicas, materiais e suportes a outros.

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viajando em postais (de outra forma)

Como ilustradora, curto desenhar e pintar trabalhos sobre papel em tamanho cartão postal (A6, mais ou menos). Para a obtenção deste tamanho, basta cortar uma folha de papel tamanho A4, ou mesmo A3, até reduzi-lo ao tamanho em questão.

Considero este tamanho inclusive bastante prático para experiências – algumas bem sucedidas, outras não =) mas experiências são assim – com materiais e técnicas, sejam à base de água (como guache e aquarela), de base acrílica ou mesmo óleo – sim, pode-se pintar a óleo e acrílico sobre papel também, desde que o papel seja de boa gramatura – além de testar médiuns como vernizes, fixadores e secantes de acordo com cada tipo de material, e de papel também.

Aliás, sobre óleo/acrílico em papel, no Youtube existem diversos tutoriais a respeito (os que assisti estavam em inglês, como este), assim como postagens de blogs de artistas na Web, como esta. Nada que uma googlada – em português, inglês ou em outro idioma que se domine – não resolva, é o que faço, direto, para sanar dúvidas…

As obras abaixo são aquarelas.

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[UPDATE 10/12/2018] P.S.: pena que por aqui seja difícil de encontrar papel para aquarela já cortado – e impresso no verso – em formato cartão postal (quando encontrado, é invariavelmente importado).

eu, heim!

De uns tempos para cá, cheguei a algumas conclusões, em paz comigo mesma.

NÃO ME CONSIDERO “ARTISTA”; sou apenas alguém que, nas horas vagas, faz o que gosta, levando-se em conta o profundo desgaste que o termo “ARTISTA” tem sofrido nas últimas décadas (sim, DÉCADAS, pensando-se bem).

Dentro desse panorama de desgaste e de banalização – banalização esta que endemicamente alastra-se por diversas áreas da vida dita moderna -, de repente, qualquer um autodenomina-se “artista” (pior ainda em uma cultura como a nossa).

Se outros preferem “posar” e “formar opinião”, ao menos RESPEITEM quem não se vê obrigado a isso.

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viagens

Tarsila do Amaral, “Operários” (1933)

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Sou fã dessa tela: iniciando a viagem pela proporção e distribuição estilizada dos trabalhadores com o parque industrial ao fundo, passando pela diversidade e pela individualidade (inclusive étnica) presente em cada rosto. Pois, além da aparente massificação, vejo também indivíduos.

Poderia ficar horas a contemplar essa obra, se apenas pudesse.

Ilha SEM fantasia

[Originalmente redigido como trabalho de faculdade de Jornalismo, posteriormente adaptado e postado no portal MULTARTE Arte e Cultura Brasileira em 2002, republico aqui este texto de minha autoria, sobre o curta “Ilha das Flores”, de Jorge Furtado]

Ilha sem fantasia

ILHA DAS FLORES, realizado por estudantes gaúchos de cinema em 1989, demonstra que é possível a criatividade com poucos recursos.

Trata-se de um premiado e festejado curta que, com uma produção modesta, constrói uma narrativa extremamente instigante no tocante ao seu conteúdo. Exatamente por isso, é uma demonstração (dentre as muitas que têm aparecido no recente cenário artístico) das mais eloquentes de como, sem recorrer a produções de porte faraônico-hollywoodiano, uma obra de arte pode ser tão bem elaborada no plano técnico e ao mesmo tempo comunicativa, sem hermetismos eruditos ou malabarismos virtuosísticos. Enfim, algo para ser entendido – e curtido.

Disponível também em versões legendadas para o inglês, francês, alemão e espanhol, ILHA DAS FLORES é uma verdadeira parábola sobre a condição humana – ou pelo menos uma de suas facetas: a de como a ausência de liberdade (i.e. a outorga ao indivíduo em particular e à sociedade em geral o direito de ir e vir, bem como o direito a uma vida em condições dignas) pode levar gente a se sujeitar a situações aviltantes em troca de uma sobrevivência quase ou totalmente vegetativa. De como o ser humano, na eterna luta pela sobrevivência, trata de se contentar com qualquer coisa ao seu alcance – até mesmo LIXO.

No plano técnico, a narrativa apresenta-se com um estilo que poderia assim ser chamado de: “irônico-didático”, com generosas doses de metalinguagem, ao “explicar” cada um dos componentes apresentados em seu desenrolar; há também características de documentário em algumas passagens, tanto que este curta costuma ser genericamente denominado como “documentário” pelos meios afora. Da aparente miscelânea nonsense, entre conteúdo e partes nele envolvidas (incluindo personagens de carne e osso), vai-se gradativamente fazendo surgir uma ideia comum: a de como a sociedade de fato, mesmo não se conhecendo os indivíduos, encontra-se envolvida em uma mesma questão – a do direito a uma existência digna.

Há na obra uma intensa relação sonoridade-imagem, com elementos repetitivos e encadeados entre si, em um continuum – ou seria talvez “crescendo social?” – que leva ao desfecho da reflexão final sobre a condição humana, via Cecília Meireles (“Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”). Apesar dos momentos jocosos, hilariantes até, a narrativa vai gradativamente conduzindo o espectador a uma conclusão final, que é séria. E tudo isto em apenas 12 minutos de duração.

Apesar das técnicas empregadas nesta película serem de uso corriqueiro em productions do tipo Walt Disney, ILHA DAS FLORES (que bem poderia servir de título a uma produção desse porte) pode ser considerado como um magnífico ANTI-DISNEY… Sem a costumeira pieguice que assola tais produções. Um verdadeiro colírio artístico para aqueles que, como eu, acreditam que bom cinema não depende de grandiloquências hollywoodianas para tornar uma obra perene: a velha fórmula da “câmera na mão e uma ideia na cabeça” ainda funciona.

Iracema Brochado

Brasília, DF, 15/03/2002


ILHA DAS FLORES [Ficha técnica]
Brasil, 1989 (35 mm, 12 minutos, cor)

Direção: Jorge Furtado
Produção executiva: Monica Schimiedt, Giba Assis Brasil e Nora Goulart
Roteiro: Jorge Furtado
Direção de fotografia: Roberto Henkin e Sérgio Amon
Direção de arte: Fiapo Barth
Música: Geraldo Flach
Direção de produção: Nora Goulart
Montagem: Giba Assis Brasil
Assistente de direção: Ana Luiza Azevedo
Uma produção da Casa de Cinema de Porto Alegre
Elenco principal: Paulo José (narração) e Ciça Reckziegel (Dona Anete)

Sinal dos tempos (alegoria) #instant #artesvisuais #artenasruas #cenaurbana

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