panorama… atual

Desde que ouvi esta música pela 1ª vez em plena Rádio Mundial, esta canção do Erasmo Carlos nunca perdeu sua atualidade; pelo contrário, é daquele tipo de obra dotada da estranha e significativa propriedade de ficar cada vez mais atual, á medida que os anos passam.

Juntamente com Mercy Mercy Me (The Ecology), de Marvin Gaye, esta canção aborda o problema do desequilíbrio ecológico – e sua consequente queda na qualidade de vida -, em uma época que tais preocupações ocorriam de forma um tanto vaga em cabeças pensantes, como uma espécie de louca utopia pessimista.

Sobre a canção de Erasmo, de tão boa e atual, sua letra pode ser analisada por si mesma sem a necessidade da melodia, apreciada como um poema – com sua ironia sutil em antepor a (eterna) busca de “perfeição” do gênero humano à crescente degradação ambiental – e, por extensão, da qualidade de vida de todas as coisas vivas – em volta:

Lá vem a temporada de flores
Trazendo begônias aflitas
Petúnias cansadas
Rosas malditas
Prímulas despetaladas
Margaridas sem miolo
Sempre-vivas quase mortas
E cravinas tortas
Odoratas com defeitos
E homens perfeitos

Lá vem a temporada de pássaros
Trazendo águias rasteiras
Graúnas malvadas
Pombas guerreiras
Canários pelados
Andorinhas de rapina
Sanhaços morgados
E pardais viciados
Curiós desafinados
E homens imaculados

Lá vem a temporada de peixes
Trazendo garoupas suadas
Piranhas dormentes
Sardinhas inchadas
Trutas desiludidas
Tainhas abrutalhadas
Baleias entupidas
E lagostas afogadas
Barracudas deprimentes
E homens inteligentes.

Por fim, a canção de Marvin Gaye, com a respectiva letra.

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the first day of the rest of one’s life

Introducing this piece of Brazilian psychedelia performed by the Mutantes, just a curiosity picked on this big old Web: practically NONE of the band’s members was the author of the song shown on the video below, but a 16-yr-old boy (his age then, in that year of 1968), Paulo Girãowhose official website can be found here – which had bumped into the recording studio one fine day, initially expecting Caetano Veloso to record it. Since Mr. Veloso was unavailable by that time, away in a tour, the band offered themselves to record the piece instead. The rest is History, in which a song had also changed the whole life of a young songwriter, now also a producer and teacher, having freshly released a book on his lifetime of experiences gathered in the 60’s/70’s Brazilian musical (and political, as well) scenario.

UPDATE: a translation attempt for the lyrics’ original Portuguese version follows – just for testing out my translation skills (comments are welcome) =)

[ORIGINAL VERSION]

Glória ao Rei dos Confins do Além
(Paulo Girão)

Meia-noite e dez
Bateu nos Confins do Além,
Na cidade que parou
Pra saudar o Rei,
Que da guerra retornava
(Contra o mundo ele lutava!)
Para preservar os Confins do Além.

“Vamos para a rua
Vamos ver o Rei passar
E o nosso Soberano homenagear.”

Acordaram os que dormiam,
Levantaram os que viviam
Nas alcovas, sós,
Em profundo amor.
Todos se reuniram
nas calçadas, nos telhados,
na avenida, enfim.
Eis que chega o Rei,
Atenção para o sinal, e em coro, assim:

“Glória! Glória!
Ao Rei e Senhor, que tanto nos quer bem!
Glória! Glória!
Ao Supremo Chefe dos Confins do Além!”

“Abaixo João!
Mais abaixo com José!
Viva o nosso Dom Maior, o Eterno Rei!
Viva o Sol! Viva a Verdade!
Viva eu! Viva a cidade!
E vivamos nós pra saudar o Rei.
Abaixo Maria!
Mais abaixo com Sofia!
Viva o nosso Dom Maior, o Eterno Rei!
Viva a Lua e a claridade!
Viva a eletricidade!
E vivamos nós pra saudar o Rei.”

Se vocês soubessem
toda a falsidade que havia ali…
Povo de coitados!
Mas, pra Majestade ouvir, cantavam assim:

“Glória! Glória!
Ao Rei e Senhor, que tanto nos quer bem!
Glória! Glória!
Ao Supremo Chefe dos Confins do Além!”

[ENGLISH VERSION]

Glory to The King of the Confines of Beyond
(Paulo Girão)

Midnight and ten
Had struck in the Confines of Beyond,
In the city that stopped
To greet the King,
from the war returned
(Against the World he’d fought!)
to safeguard the Confines of Beyond.

“Let us go to the streets
Let us go to see the King go by
And to honor our Sovereign.”

Agreed the sleeping, raised the living
from the alcoves, alone
In deep love.
Everyone gathered in the sidewalks,
On the roof tops, in the avenue.
Here comes the King
Attention to the sign, in an unison like this:

“Glory! Glory!
To the King and Lord that deeply wishes us well!
Glory! Glory!
To the Supreme Chief of the Confines of Beyond!”

“Down with John!
Lower with Joseph!
Long live our Greater Knight, the Eternal King!
Hooray to the Sun! Hooray to the Truth!
Hooray to myself! Hooray to the city!
And may us live to greet the King.
Down with Mary!
Lower with Sophie!
Long live our Greater Knight, the Eternal King!
Hooray to the Moon and brightness!
Hooray to Electricity!
And may us live to greet the King.”

If one just could know
all the falsehood that there was…
Poor people of wretches!
Yet, for His Majesty to listen, they all sang:

“Glory! Glory!
To the King and Lord that deeply wishes us well!
Glory! Glory!
To the Supreme Chief of the Confines of Beyond!”

Large Hadron Collider

Dando continuidade ao post anterior (sobre o despertar do meu interesse pela Física, após um período de longa hibernação), eis algumas imagens – salvas em fomato PNG, apesar da “cara de Autocad” – obtidas pelo aplicativo LHSee, através do qual pode-se monitorar os eventos do Large Hadron Collider (LHC), o colisor de partículas destinado a desvendar, entre outros aspectos, elementos referentes à própria origem do Universo

Pelo aplicativo pode-se, entre outras características, “brincar” de procurar o Bóson de Higgs (moderna versão do Santo Graal, talvez?). Por enquanto, LHSee – gratuito – é exclusividade da plataforma Android (até surpreendeu-me que não exista versão para iPhone).

Às vezes tenho a impressão de ver no LHC uma reconstituição de algo já discutido em escritos milenares – e não se trata de “viagem na maionese” por esoterismos de boutique, do tipo New Age: falo em sistemas filosóficos.

In search of the #higgsboson (3) In search of the #higgsboson (2) In search of the #higgsboson

in search of the Higgs Boson

E, para dar o toque musical a este post: as respectivas versões original (em inglês) e em Português do Rap do LHC.

the who: a tribute

One of the simple reasons I do really enjoy the british band’s entire work, throughout the years (as it always has been), is just because their music brings me a feeling of celebrating LIFE – or, at least, that living Life as it simply is, with not any trace of escapism, can be worthwhile after all.That’s why The Who should be always considered as one of the greatest rock bands, of all times.

To the band: thanks so much, guys (John, Keith, Pete and Roger, in alphabetical order). You deserve it.

Cheers – preferrably w/ a sip of red wine 😀

P.S.: someone might wonder why this specific song, and I promptly answer: just because it was the very first thing that had occurred and been remaining on my mind, throughout the day

2º dia - graffiti