panorama… atual

Desde que ouvi esta música pela 1ª vez em plena Rádio Mundial, esta canção do Erasmo Carlos nunca perdeu sua atualidade; pelo contrário, é daquele tipo de obra dotada da estranha e significativa propriedade de ficar cada vez mais atual, á medida que os anos passam.

Juntamente com Mercy Mercy Me (The Ecology), de Marvin Gaye, esta canção aborda o problema do desequilíbrio ecológico – e sua consequente queda na qualidade de vida -, em uma época que tais preocupações ocorriam de forma um tanto vaga em cabeças pensantes, como uma espécie de louca utopia pessimista.

Sobre a canção de Erasmo, de tão boa e atual, sua letra pode ser analisada por si mesma sem a necessidade da melodia, apreciada como um poema – com sua ironia sutil em antepor a (eterna) busca de “perfeição” do gênero humano à crescente degradação ambiental – e, por extensão, da qualidade de vida de todas as coisas vivas – em volta:

Lá vem a temporada de flores
Trazendo begônias aflitas
Petúnias cansadas
Rosas malditas
Prímulas despetaladas
Margaridas sem miolo
Sempre-vivas quase mortas
E cravinas tortas
Odoratas com defeitos
E homens perfeitos

Lá vem a temporada de pássaros
Trazendo águias rasteiras
Graúnas malvadas
Pombas guerreiras
Canários pelados
Andorinhas de rapina
Sanhaços morgados
E pardais viciados
Curiós desafinados
E homens imaculados

Lá vem a temporada de peixes
Trazendo garoupas suadas
Piranhas dormentes
Sardinhas inchadas
Trutas desiludidas
Tainhas abrutalhadas
Baleias entupidas
E lagostas afogadas
Barracudas deprimentes
E homens inteligentes.

Por fim, a canção de Marvin Gaye, com a respectiva letra.

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Large Hadron Collider

Dando continuidade ao post anterior (sobre o despertar do meu interesse pela Física, após um período de longa hibernação), eis algumas imagens – salvas em fomato PNG, apesar da “cara de Autocad” – obtidas pelo aplicativo LHSee, através do qual pode-se monitorar os eventos do Large Hadron Collider (LHC), o colisor de partículas destinado a desvendar, entre outros aspectos, elementos referentes à própria origem do Universo

Pelo aplicativo pode-se, entre outras características, “brincar” de procurar o Bóson de Higgs (moderna versão do Santo Graal, talvez?). Por enquanto, LHSee – gratuito – é exclusividade da plataforma Android (até surpreendeu-me que não exista versão para iPhone).

Às vezes tenho a impressão de ver no LHC uma reconstituição de algo já discutido em escritos milenares – e não se trata de “viagem na maionese” por esoterismos de boutique, do tipo New Age: falo em sistemas filosóficos.

In search of the #higgsboson (3) In search of the #higgsboson (2) In search of the #higgsboson

in search of the Higgs Boson

E, para dar o toque musical a este post: as respectivas versões original (em inglês) e em Português do Rap do LHC.

depois da hibernação

Curiosamente, o fato de ter tido apenas maus professores de Física pelos níveis fundamental e médio afora não afastou de todo meu interesse pela área – interesse que pode haver “hibernado” por longos anos, mas jamais enterrado. Tanto que tenho alimentado um incomum interesse pela Física ultimamente, que nem imaginava ter um dia.

E nem maus professores conseguiram impedir.

Se bem que o interesse, além de científico, é também FILOSÓFICO – e não tão discrepante, como possa parecer; haja vista a filosofia grega como matriz de várias ciências que se desenvolveram com o passar dos séculos – somando-se aos enunciados de alguns sistemas filosóficos orientais (nestes, sua VERDADEIRA gênese) mais antigos.

Mas talvez explique isto mais tarde; não agora. Não, não estou esquivando-me de nada: apenas tratando de elaborar as ideias.

#kaleidoscope #series (kinda #3D attempt)

old (modern) fable

WARREN RED CLOUD: Once upon a time, a woman was picking up firewood. She came upon a poisonous snake frozen in the snow. She took the snake home and nursed it back to health. One day the snake bit her on the cheek. As she lay dying, she asked the snake, “Why have you done this to me?” And the snake answered, “Look, bitch, you knew I was a snake.”

[Extracted from Quentin Tarantino’s ‘Natural-born Killers’]

Em bom tupiniquim: QUEM MANDA CRIAR COBRAS?

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UMA JANELA PARA A ARTE: exposição coletiva na LBV-DF (em maio)

CLIQUE TAMBÉM AQUI…

…E AQUI

Na arte estão […] visceralmente unidos os dois aspectos […]: o seu lado techné – domí­nio consciente e intencional de meios com o objetivo explícito de atingir um fim pré-de­terminado – e ao seu lado “magia” – impulso de reconciliação com uma totalidade, ex­perienciada como radicalmente cindida.*

Beatriz, CarmenIracema, Raquel, Renata, Renato, Solange e Yesenia – pessoas oriundas de áreas tão distintas como Pedagogia, Administração, Arquitetura, Medicina e Jornalismo, mas que têm um ponto em comum: a ARTE. São diferentes talentos provenientes de diferentes lugares (inclusive do exterior) que se encontram na coletiva “JANELA DAS EMOÇÕES”, a ser realizada na sede brasiliense da Legi­ão da Boa Vontade, de 02 a 12 de maio próximo – com vernissage marcada para o dia 05, das 17:00 às 20:00h.

Somando-se às experiências já acumuladas, este grupo de artistas participantes vem trilhando um ca­minho sólido e promissor através da utilização de diversos materiais, técnicas múltiplas e texturas di­versificadas, variando entre o rigor acadêmico e o traço solto, mesclando o clássico e o contemporâ­neo.

Nestas “janelas” aparentemente tão distintas sua proposta resulta, no entanto, no supremo objetivo do evento que os une: o amor à expressão artística. Paixão que, por sua vez, promove a integração entre a emoção da criação artística e a visão – ou, talvez, revisão – filosófica do mundo que nos cerca. Portan­to, aqui, diferentes visões de mundo convergem em um ponto comum: o aparente paradoxo do empre­go “racional” das técnicas artísticas que leva à “magia” (tal como na citação acima) da reflexão e con­sequente reconciliação com o mundo e o Universo.

Assim, este evento convida o público a dele participar – e também a refletir.

A coletiva “JANELA DAS EMOÇÕES” ficará aberta ao público de 02 a 12 de maio, de segunda a domingo, das 08 às 20:00h. A LBV-DF situa-se na Asa Sul, SGAS 915, lotes 75 a 76, em Brasília, Dis­trito Federal.

Iracema Brochado

NOTA: convite também disponível no Facebook, clicando-se aqui.

*DUARTE, Rodrigo A. P.. Arte e Modernidade. Psicol. cienc. prof.,  Brasília,  v. 14,  n. 1-3,   1994.  Disponível em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98931994000100003&lng=pt&nrm=iso. Acessos em  10  abr.  2012.

mai2012 - coletiva "Janela das Emoções", LBV-DF (2)

views on Philosophy

from Sri Swami Krishnananda:

Philosophy is not a theory but a vision of life (Darsana). It is not merely ‘love of wisdom’ but signifies a real ‘possession’ of it. The philosophers are therefore not professors, academicians or doctrinaires, or even spectators, but true participants of life in its real meaning and relationship. To be a philosopher, thus, implies more substance than what is often taken to be its value in life. A philosopher is not concerned with human beings alone: his concern is with all creation, the universe in its completeness. His thought has to reflect the total import of existence in its togetherness.

UPDATES (july 16th)

From pure empirical observation and a scientific attitude we are to gradually rise to a philosophical realm where we are in the midst of conditioning factors which reign supreme over the isolated particulars of life and satisfy us that we are more than the mortal body and the pale mind that we are here. There is something superb about us, and the pursuit of this real essence within ourselves is the task of philosophy, the purpose of the spiritual pursuit of mankind.

[…]

The universe is a vast field of psychological experience of multitudinous centres of individuality for working out their deserts by way of objective experience. The universe is another name for experience by a cosmic mind, of which the relative minds are refractive aspects and parts.

UPDATE (oct/2012):

Philosophy is the vision of facts as they are, divested of the imagination by which circumstances in life are construed to be quite different from what they really are.

UPDATE (feb/2013):
The ‘Advaita’ of Sankara is not so much the assertion of oneness as the negation of duality, as the names of his system suggests. God is not one or two or three, for He is above numerical affirmation. He is not anything that we can think of, but, however, He does not involve in any difference; hence He is ‘Advaita’, non-dual. Such is the cautious name of Sankara’s system of philosophy.
UPDATE (may 2013):

Space is the relation of the coexistence of ideas and time is the relation of the succession of ideas. As coexistence and succession themselves are ideas, the world has no existence independent of the mind, working from the subjective side as the thought-process of the individual and objectively as the Will of Brahma.

UPDATE (dec 2013)

The true philosophic method should not be lopsided, should not be biased to any particular or special dogma, but comprehend within itself the processes of reflection and speculation and at the same time be able to reconcile the deductive and inductive methods of reasoning. The philosophy of the Absolute rises above particulars to greater and greater universals, basing itself on facts of observation and experience by the method of induction and gradual generalisation of truths, without missing even a single link in the chain of logic and argumentation, reflection and contemplation, until it reaches the highest generalisation of the Absolute Truth, and then by the deductive method comes down to interpret and explain the facts of experience in the light of the nature of this Truth. This is a great example of the most satisfactory method of philosophical enquiry. Philosophy being the way of the knowledge of Truth, its method must be in agreement with the nature of Truth. In philosophy and religion the end always determines the nature of the means.

UPDATE (feb2014)

The flowing of a river is an action, the blowing of the wind is an action, the bursting of a volcano is an action. Do we find a difference between these actions and our actions? The difference is the extent of personality-consciousness, ego-consciousness, individuality-consciousness involved. If our actions have an impact upon another person, it produces a nemesis by way of a reaction; but if Ganga overflows and demolishes millions of villages, no reaction will be set up against Ganga. If tornadoes blow, tear out trees, make the ocean rise up and destroy all kinds of life, the wind will not have any nemesis or reaction to its action. If a volcano kills millions, it will not have any karma reacting upon it. But if we do anything – if we destroy a village or break something – we will get the nemesis thereof.

kilim by Iracema Cema on 500px.com

 

 

Os Artistas Fora da Mídia | The Artist Out of The Media

OBS.: o texto a seguir está devidamente creditado; portanto, não se trata de um daqueles abomináveis apócrifos, com que tanto  enchem a caixa de correio – e o nosso saco, também.

OS ARTISTAS FORA DA MÍDIA

Por Artur da Távola (1936-2008 – advogado, escritor, jornalista e professor). Publicado originalmente no Jornal O DIA, do Rio de Janeiro, em 16/07/1998.
Nunca iluda um artista fora da mídia. Ele é um anjo que se tornou triste. E sobretudo jamais o desiluda. É pecado mortal dizer ou pensar: “Coitado, esse acabou e não sabe”. Não seja piedoso por hipocrisia: ele percebe. Tenha paciência com suas queixas e busque compreender-lhe a arte. Há dois tipos de artista fora da mídia: os muito superiores ao que em cada momento domina o mercado, e os muito inferiores. Um acaba injustamente infeliz, o outro acaba chato. Mas o sonho de ambos é simples e santo: existir, disseminar vivências sensíveis, ter o direito de mostrar quem são.
Vítima do implacável teor seletivo do mercado e seus ávidos especialistas, por justos ou injustos critérios, com ou sem qualidade artística, deixa de vender discos, livros e de atrair público.
Vai para o apartheid da fama. O artista fora da mídia é alma no limbo. Aguarda veredito do Destino com o olhar cavo e machucado de certos cães. Expulso da passarela iluminada, ele amarga injustiças e não entende o que acontece e por que resta esquecido. Espremido entre o orgulho de não pedir e a dor da discriminação, divide-se entre os que se conformam, entristecidos, e os que se fazem ressentidos e descobrem argumentos, justos e injustos, contra os que não os chamam para atuar. Jamais prometa a um fora da mídia o que não poderá fazer. Mais vale um não sincero que um sim impossível de ser cumprido.
Jamais o receba com ar de enfado ou palavras de consolação. Tampouco com esmolas afetivas. Ou lhe dê trabalho ou lhe fale franco. Ele é um ser de sofrida solidão e terna dependência de reconhecimento e carinho. Uiva saudades para as luas imaginárias de suas lembranças. É um tipo de excluído que não está nos manuais dos direitos humanos.
Que Deus dê a todo e toda artista fora da mídia paciência e esperança suficientes para prosseguir. Às vezes o reconhecimento chega depois. Até mesmo quando já não importa.
P.S.: esta crônica é dedicada a Gerdal dos Santos, que em seu programa “Onde Canta o Sabiá” aos domingos de manhã na Rádio Nacional dá calor, carinho e guarida a artistas fora da mídia.

ENGLISH VERSION – an attempt made with a little hand of a good friend, an English teacher [translation by Iracema Brochado]

THE ARTIST OUT OF THE MEDIA

by Artur da Távola (1936-2008 – Brazilian writer, essayist, journalist and professor), first published in O DIA, a Brazilian newspaper from Rio de Janeiro city, on July 16th of 1998.
Never deceive an artist out of the media. They’re an angel that has become sad. And above all, never ever disenchant them. It is a mortal sin uttering or thinking: “Poor fellow, they’re finished and still don’t know it”. Don’t be pitiful by falseness: they perceive so. Be patient with their complaints and try to understand their art. There are two kinds of artist out of the media: the ones way above those who sporadically dominate the market and the second-class ones. The former becomes unfairly unhappy, the latter dull. But the dream of both is simple and pure: to exist, to spread sensitive existences, to have the right to show up who they are.
Victim of the merciless selective purposes of the market and its greedy specialists, guided by either fair or unfair criteria, with artistic quality or not, they quit selling records, books and drawing audiences altogether.
They go into the apartheid of Fame. The artist out of the media is a soul in limbo. They await the sentence of Fate with a hollowed and hurt look of certain dogs. Expelled from the illuminated stage, they withstand injustices and don’t understand what goes on and why they remain forgotten. Wedged between the pride of not begging and the pain of discrimination, they end up being divided between those who get conformed, saddened, and those resentful which find arguments, both fair and unfair, against those who don’t invite them to perform. Never ever promise to an out-of-the-media what you can’t do. More it is worth a sincere NO than a YES impossible of being fulfilled.
Never ever greet them with unpleasant looks or consolation words. Nor with handouts of sympathy. Either just offer work or speak to them frankly. They are beings of suffering solitude and gentle dependence on recognition and care. They howl nostalgias to the imaginary moons of their memories. They’re a kind of outcast not currently listed in Human Rights’ handbooks.
May God give every artist out of the media patience and perseverance enough to carry on. Sometimes recognition arrives later. Even when it doesn’t matter anymore.
P.S.: this article is dedicated to Gerdal dos Santos, who in his program “Onde Canta o Sabiá” [Where the Sabiá Bird Sings], Sunday mornings on Rádio Nacional [a Brazilian radio station from Rio de Janeiro], brings warmth, care and shelter to artists out of the media.

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