panorama… atual

Desde que ouvi esta música pela 1ª vez em plena Rádio Mundial, esta canção do Erasmo Carlos nunca perdeu sua atualidade; pelo contrário, é daquele tipo de obra dotada da estranha e significativa propriedade de ficar cada vez mais atual, á medida que os anos passam.

Juntamente com Mercy Mercy Me (The Ecology), de Marvin Gaye, esta canção aborda o problema do desequilíbrio ecológico – e sua consequente queda na qualidade de vida -, em uma época que tais preocupações ocorriam de forma um tanto vaga em cabeças pensantes, como uma espécie de louca utopia pessimista.

Sobre a canção de Erasmo, de tão boa e atual, sua letra pode ser analisada por si mesma sem a necessidade da melodia, apreciada como um poema – com sua ironia sutil em antepor a (eterna) busca de “perfeição” do gênero humano à crescente degradação ambiental – e, por extensão, da qualidade de vida de todas as coisas vivas – em volta:

Lá vem a temporada de flores
Trazendo begônias aflitas
Petúnias cansadas
Rosas malditas
Prímulas despetaladas
Margaridas sem miolo
Sempre-vivas quase mortas
E cravinas tortas
Odoratas com defeitos
E homens perfeitos

Lá vem a temporada de pássaros
Trazendo águias rasteiras
Graúnas malvadas
Pombas guerreiras
Canários pelados
Andorinhas de rapina
Sanhaços morgados
E pardais viciados
Curiós desafinados
E homens imaculados

Lá vem a temporada de peixes
Trazendo garoupas suadas
Piranhas dormentes
Sardinhas inchadas
Trutas desiludidas
Tainhas abrutalhadas
Baleias entupidas
E lagostas afogadas
Barracudas deprimentes
E homens inteligentes.

Por fim, a canção de Marvin Gaye, com a respectiva letra.

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aplicativos multitarefa

À medida em que familiarizo-me com o PicsArt (aplicativo exclusivo do Android, por enquanto – os iPhonemaníacos esnobam, e eu esnobo de volta, ui!), constato que ele serve não apenas como diversão, mas também como verdadeira ferramenta de trabalho, para divulgação ou resumo de eventos e ocasiões – como estes que fiz, divulgados via Instagram, Streamzoo (e pelo Twitpic também) e, por tabela, pelos Flickrs e Picasas da vida.

Com todos os recursos de que o aplicativo dispõe, talvez eu não exagere ao afirmar que o PicsArt é um verdadeiro “mini-Corel” para celular.

Minha página no PicsArt

reflexão

Não faço parte dessa estética, digamos, escatológico-forense que tomou conta de determinados segmentos da arte contemporânea. (E os incomodados, que se incomodem – ui!)

Se de um lado pretendo reformular meu próprio relacionamento com a Arte (“puxar uma DR” com a mesma talvez, como dir-se-ia nestes dias e tempos), não significa que eu não tenha o direito de escolher o caminho ou linguagem nos quais me identifique mais.

E, na escolha que faço, sinto mais liberdade para criar e relacionar-me com a vida, as pessoas e a própria arte, refletindo-se a mesma liberdade na disposição para viver.

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AZULEJOS / TILES//embedr.flickr.com/assets/client-code.js

joio X trigo

Na dita mídia algumas pessoas sofrem de verdade, como nestes casos – enquanto noutros, parece-se aproveitar da condição influente exercida no momento, em um misto de mau gosto e indignidade (tome-se ainda a “cultura do coitadinho”, tão cara a estas plagas, como “agravante”).

Resumidamente, parece assim a coisa.

A questão é saber discernir.

A great #sunday #statigram #1millionusers

Uma publicação compartilhada por Iracema (@immb95) em

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netiquette – pano para manga (2)

Quando resolvo ensaiar alguma coisa sobre netiqueta, não se trata de “ditar regras” e sim de refletir com base em experiências próximas – e próprias, também.

Desta forma, hoje resolvi escrever um pouco sobre aqueles convites virtuais que se postam no Facebook (recurso para o qual também apelo, quando necessário).

Quem já conhece o recurso, sabe muito bem das ferramentas de que o mesmo dispõe, incluídos aqueles botõezinhos lá no topo da página que disponibilizam aos convidados as opções de aceitar, recusar ou responder com um “talvez” ao evento. OU, simplesmente, não responder, conforme a conveniência do freguês.

Penso que, no caso daqueles que decidem clicar em “RECUSAR” (ou “declinar”), fica implícita uma certa responsabilidade, uma vez que as recusas também estão lá publicadas na página do evento. Trocando em miúdos: àqueles que recusam o convite, caberia responder – agradecendo, justificando a ausência (se possível) e, porque não dizê-lo, desejar boa sorte, sucesso, felicidades etc.

E, para aqueles que me acusam de chata, respondo: não, não estou sendo chata coisíssima nenhuma. Pelo contrário, estou sendo BEM pega-leve, uma vez que não estendo o critério acima especificado àqueles que simplesmente não respondem, ou respondem com um “talvez”. Aí sim, certamente seria exigir demais, rabugice mesmo.

A questão é a de que, conforme já mencionado, as recusas TAMBÉM ficam lá, públicas, no mural, tanto quanto as confirmações ou os “talvezes”. E, convenhamos: nestas circunstâncias, recusar OFICIALMENTE sem nada responder fica chato, e no plano online não seria muito diferente. Talvez até pior, justamente pelo fato das recusas também aparecerem lá para quem quiser ver.

Pensem bem…

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relatividade

Se uma criança de 3 anos de idade apodera-se de alguns lápis de cor, ou de um punhado de giz de cera de cores variadas, ou de alguns potes de guache, e põe-se rabiscar-borrar a parede da sua casa… Aí todo mundo fica estressado, paga-se sapo para a pobre criança (“Veja só o que você fez!”) etc.

Agora, se um adulto faz a MESMA coisa em papel, tela ou o que for – até mesmo em uma parede! -, e ainda floreia a sua criação com uma elaborada explicação do seu “processo criativo” (de preferência como um discurso o mais críptico possível, de cunho filosófico-metafísico), então é “arte”, é “GENIALIDADE”, ou o que mais queira a panelinha de basbaques denominar. Ah sim, ia me esquecendo: se puder, o adulto em questão ainda atribui à sua “obra” um título de igual cunho hermético-metafísico, para conferir o toque de “genialidade”; a panelinha sempre adora.

Este é o mundo da arte contemporânea tal como ela se apresenta por aí – onde até materiais como cocô já foram elevados à categoria de “obra de arte” (uma autocrítica deste “sinal dos tempos“, talvez?).

HUMOR, pessoal 😀

P.S.:

 

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the first day of the rest of one’s life

Introducing this piece of Brazilian psychedelia performed by the Mutantes, just a curiosity picked on this big old Web: practically NONE of the band’s members was the author of the song shown on the video below, but a 16-yr-old boy (his age then, in that year of 1968), Paulo Girãowhose official website can be found here – which had bumped into the recording studio one fine day, initially expecting Caetano Veloso to record it. Since Mr. Veloso was unavailable by that time, away in a tour, the band offered themselves to record the piece instead. The rest is History, in which a song had also changed the whole life of a young songwriter, now also a producer and teacher, having freshly released a book on his lifetime of experiences gathered in the 60’s/70’s Brazilian musical (and political, as well) scenario.

UPDATE: a translation attempt for the lyrics’ original Portuguese version follows – just for testing out my translation skills (comments are welcome) =)

[ORIGINAL VERSION]

Glória ao Rei dos Confins do Além
(Paulo Girão)

Meia-noite e dez
Bateu nos Confins do Além,
Na cidade que parou
Pra saudar o Rei,
Que da guerra retornava
(Contra o mundo ele lutava!)
Para preservar os Confins do Além.

“Vamos para a rua
Vamos ver o Rei passar
E o nosso Soberano homenagear.”

Acordaram os que dormiam,
Levantaram os que viviam
Nas alcovas, sós,
Em profundo amor.
Todos se reuniram
nas calçadas, nos telhados,
na avenida, enfim.
Eis que chega o Rei,
Atenção para o sinal, e em coro, assim:

“Glória! Glória!
Ao Rei e Senhor, que tanto nos quer bem!
Glória! Glória!
Ao Supremo Chefe dos Confins do Além!”

“Abaixo João!
Mais abaixo com José!
Viva o nosso Dom Maior, o Eterno Rei!
Viva o Sol! Viva a Verdade!
Viva eu! Viva a cidade!
E vivamos nós pra saudar o Rei.
Abaixo Maria!
Mais abaixo com Sofia!
Viva o nosso Dom Maior, o Eterno Rei!
Viva a Lua e a claridade!
Viva a eletricidade!
E vivamos nós pra saudar o Rei.”

Se vocês soubessem
toda a falsidade que havia ali…
Povo de coitados!
Mas, pra Majestade ouvir, cantavam assim:

“Glória! Glória!
Ao Rei e Senhor, que tanto nos quer bem!
Glória! Glória!
Ao Supremo Chefe dos Confins do Além!”

[ENGLISH VERSION]

Glory to The King of the Confines of Beyond
(Paulo Girão)

Midnight and ten
Had struck in the Confines of Beyond,
In the city that stopped
To greet the King,
from the war returned
(Against the World he’d fought!)
to safeguard the Confines of Beyond.

“Let us go to the streets
Let us go to see the King go by
And to honor our Sovereign.”

Agreed the sleeping, raised the living
from the alcoves, alone
In deep love.
Everyone gathered in the sidewalks,
On the roof tops, in the avenue.
Here comes the King
Attention to the sign, in an unison like this:

“Glory! Glory!
To the King and Lord that deeply wishes us well!
Glory! Glory!
To the Supreme Chief of the Confines of Beyond!”

“Down with John!
Lower with Joseph!
Long live our Greater Knight, the Eternal King!
Hooray to the Sun! Hooray to the Truth!
Hooray to myself! Hooray to the city!
And may us live to greet the King.
Down with Mary!
Lower with Sophie!
Long live our Greater Knight, the Eternal King!
Hooray to the Moon and brightness!
Hooray to Electricity!
And may us live to greet the King.”

If one just could know
all the falsehood that there was…
Poor people of wretches!
Yet, for His Majesty to listen, they all sang:

“Glory! Glory!
To the King and Lord that deeply wishes us well!
Glory! Glory!
To the Supreme Chief of the Confines of Beyond!”