O labirinto de Ângelo

[Republico este texto, originalmente publicado no portal MULTARTE Arte e Cultura Brasileira, em 2002, sobre outro curta de Jorge Furtado, “Ângelo Anda Sumido”]

O labirinto de Ângelo

“Os muros, então, para que servem os muros? Pra impedir ladrões? Sim. Pra garantir a privacidade? Sim. Mas servem também para acabar com o direito natural do ser humano animal de ir e vir (um direito inclusive constitucional)”. Assim Marcelo Rubens Paiva discorre sobre o espaço público e urbano, em seu livro Feliz Ano Velho.

É justamente este aspecto da delimitação do espaço público, tanto no plano físico como no existencial, sobre o qual o curta ÂNGELO ANDA SUMIDO (Brasil, 1997) discorre. “Odisséia” ou “crônica” urbana já unanimemente denominada pela crítica, “ÂNGELO” demonstra os encontros e desencontros determinados pela delimitação cada vez mais evidente do espaço das grandes cidades; delimitação agravada pela realidade sócio-cultural que experimentamos nesta virada de milênio.

O enredo passa-se em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, mas poderia ser na sua cidade também – qualquer grande cidade repleta de lonely people, em qualquer parte do planeta. O enfoque do tema, o qual potencialmente resultaria pesado e mesmo amargo (o individualismo urbano e a fragmentação do espaço público) sob outros pontos de vista, é aqui apresentado de forma bem-humorada e espontânea, através de situações e personagens absolutamente familiares; tão banais que seguramente não haverá ninguém que não tenha se identificado em alguma coisa de tudo aquilo.

Mas serve também para suscitar a velha questão: até que ponto “o direito de cada um termina onde começa o direito do vizinho” – ainda que com um emaranhado de grades e cercas a representar, literalmente, este estado de espírito urbano por excelência?

Dois amigos se reencontram após longo tempo, e dispersam-se da mesma maneira como apareceram, seguindo suas vidinhas urbanamente individualistas. Cada homo sapiens no seu galho urbano. “E Ângelo, o que aconteceu com ele?”, pergunta-se o aflito espectador. O paradeiro de Ângelo adquiriu importância, a despeito dos lances narrados em primeira pessoa pelo amigo protagonista. A esta altura do campeonato, já não importa mais: a cidade grande os engoliu. Sempre acabamos engolidos pela cidade cedo ou tarde, nos encontros e desencontros que a vida nos traz. E fica a dúvida: foram as grades que separaram de fato os dois amigos, ou foram seus próprios egos urbanos, já predispostos? Onde termina uma coisa, e onde começa a outra?

“Dentadura é salvo-conduto; não saia de casa sem ela”. O edifício onde o amigo de Ângelo mora mais parece um verdadeiro presídio de segurança máxima, tal a quantidade de grades (e chaves para abri-las)… Outros destaques para a plasticidade cenográfica do curta (em uma linguagem semelhante ao de “Ilha das Flores”) como, por exemplo, no detalhe dos mapas da cidade refletindo-se sobre os personagens (como slides) e na sobreposição estilística de outros componentes mais escrachados como que servindo de reforço irônico às situações vividas pelos protagonistas – sem que a fita descambe no “pastelão” puro e simples, supremo desafio. Por fim, trilha sonora com música dos Replicantes.

No labirinto urbano, Ângelo e seu amigo perderam-se. Mas, “quem é vivo sempre aparece” um dia…

Iracema Brochado

Brasília, DF, 16/04/2002

ÂNGELO ANDA SUMIDO [Ficha técnica]
Brasil, 1997 (35 mm, 17 minutos, cor)

Direção: Jorge Furtado
Produção executiva: Nora Goulart e Luciana Tomasi
Roteiro: Rosângela Cortinhas e Jorge Furtado
Direção de fotografia: Alex Sernambi
Direção de arte: Fiapo Barth
Música: Leo Henkin
Direção de produção: Leandro Klee
Montagem: Giba Assis Brasil
Assistente de direção: Amabile Rocha
Uma produção da Casa de Cinema de Porto Alegre
Elenco principal: Sérgio Lulkin (José), Antônio Carlos Falcão (Ângelo) e Carlos Cunha Filho (vigia na guarita).

rodoviária DF

joio X trigo

Na dita mídia algumas pessoas sofrem de verdade, como nestes casos – enquanto noutros, parece-se aproveitar da condição influente exercida no momento, em um misto de mau gosto e indignidade (tome-se ainda a “cultura do coitadinho”, tão cara a estas plagas, como “agravante”).

Resumidamente, parece assim a coisa.

A questão é saber discernir.

a message to educated people

netiquette – pano para manga (2)

Quando resolvo ensaiar alguma coisa sobre netiqueta, não se trata de “ditar regras” e sim de refletir com base em experiências próximas – e próprias, também.

Desta forma, hoje resolvi escrever um pouco sobre aqueles convites virtuais que se postam no Facebook (recurso para o qual também apelo, quando necessário).

Quem já conhece o recurso, sabe muito bem das ferramentas de que o mesmo dispõe, incluídos aqueles botõezinhos lá no topo da página que disponibilizam aos convidados as opções de aceitar, recusar ou responder com um “talvez” ao evento. OU, simplesmente, não responder, conforme a conveniência do freguês.

Penso que, no caso daqueles que decidem clicar em “RECUSAR” (ou “declinar”), fica implícita uma certa responsabilidade, uma vez que as recusas também estão lá publicadas na página do evento. Trocando em miúdos: àqueles que recusam o convite, caberia responder – agradecendo, justificando a ausência (se possível) e, porque não dizê-lo, desejar boa sorte, sucesso, felicidades etc.

E, para aqueles que me acusam de chata, respondo: não, não estou sendo chata coisíssima nenhuma. Pelo contrário, estou sendo BEM pega-leve, uma vez que não estendo o critério acima especificado àqueles que simplesmente não respondem, ou respondem com um “talvez”. Aí sim, certamente seria exigir demais, rabugice mesmo.

A questão é a de que, conforme já mencionado, as recusas TAMBÉM ficam lá, públicas, no mural, tanto quanto as confirmações ou os “talvezes”. E, convenhamos: nestas circunstâncias, recusar OFICIALMENTE sem nada responder fica chato, e no plano online não seria muito diferente. Talvez até pior, justamente pelo fato das recusas também aparecerem lá para quem quiser ver.

Pensem bem…

#fashion #event (1)

relatividade

Se uma criança de 3 anos de idade apodera-se de alguns lápis de cor, ou de um punhado de giz de cera de cores variadas, ou de alguns potes de guache, e põe-se rabiscar-borrar a parede da sua casa… Aí todo mundo fica estressado, paga-se sapo para a pobre criança (“Veja só o que você fez!”) etc.

Agora, se um adulto faz a MESMA coisa em papel, tela ou o que for – até mesmo em uma parede! -, e ainda floreia a sua criação com uma elaborada explicação do seu “processo criativo” (de preferência como um discurso o mais críptico possível, de cunho filosófico-metafísico), então é “arte”, é “GENIALIDADE”, ou o que mais queira a panelinha de basbaques denominar. Ah sim, ia me esquecendo: se puder, o adulto em questão ainda atribui à sua “obra” um título de igual cunho hermético-metafísico, para conferir o toque de “genialidade”; a panelinha sempre adora.

Este é o mundo da arte contemporânea tal como ela se apresenta por aí – onde até materiais como cocô já foram elevados à categoria de “obra de arte” (uma autocrítica deste “sinal dos tempos“, talvez?).

HUMOR, pessoal 😀

P.S.:

 

Wall (#variation)

Terra de Ninguém

A coisa chegou a um ponto em que “falta de educação” e “assédio moral” são sinônimos, onde o uso de arrogância moral (parte da qual decorrente daquilo que já chamei, um dia, de “síndrome do direito adquirido”) chega a colocar pessoas sob constrangimento. Publicamente, também. Arrogância protagonizada por todo tipo de gente, em diferentes locais e situações.

Falo da VIDA REAL, certo?

Já senti na pele constrangimentos assim, bem como haver presenciado situações em que outras pessoas tiveram experiência semelhante: porque esta já é uma Terra de Ninguém. Sem volta.

Volta? Do jeito que a coisa anda… Só um milagre.

Fica aqui o desabafo.

entrada

‘follow the leaders’ series (a compilation)

By spending some time watching some YT stuff about our valorous, powerful international leaders (wherever they come from), this playlist has been compiled for my, your, our own amusement.

(Playlist occasionally updated)

Girls and Asperger Syndrome: an article

[Firstly posted on Facebook, thanks to Sharon]

THE GENDER GAP IN ASPERGER SYNDROME: WHERE ARE THE GIRLS?
(by Lee A. Wilkinson)

A Case Study Published in:
TEACHING Exceptional Children Plus – Volume 4, Issue 4, March 2008

Copyright © 2008 by the author. This work is licensed to the public under the Creative Commons Attribution License

Although there has been a dramatic increase in the recognition of autism spectrum disorders over the past decade, a significant gender gap has emerged in the diagnosis of milder forms, such as high functioning autism and Asperger syndrome. Statistics indicate that while boys are being referred and identified in greater numbers, this is not the case for girls.

Girls are also diagnosed at later ages compared to boys. In this article, the author discusses possible explanations for the under identification of girls with high functioning autism and Asperger syndrome. A case vignette is used to illustrate the gender differences relevant to the understanding and timely diagnosis of girls with this autism spectrum condition. Asperger syndrome is an autism spectrum disorder characterized by problems in social relatedness, empathic communication and understanding, and circumscribed interests in the presence of generally age appropriate language acquisition and cognitive functioning (Volkmar & Klin, 2000).

Students with Asperger syndrome often experience problems related to their social deficits and are at risk for academic underachievement, school drop-out, peer rejection and internalizing problems such as anxiety and depression(Safran, 2002; Wilkinson, 2005). Although there has been a dramatic increase in the number of children diagnosed with autism spectrum disorders over the past decade, a significant gender gap has emerged in the identification of milder forms, such as high functioning autism and Asperger syndrome. Statistics indicate that while boys are being referred and identified in greater numbers, this is not the case for girls (Attwood, 2006; Ehlers & Gillberg, 1993; Wagner, 2006).

For example, referrals for evaluation of boys are ten times higher than for girls (Attwood, 2006). Girls are also diagnosed with autism spectrum disorders at later ages relative to boys (Goin-Kochel, Mackintosh, & Meyers, 2006). This gender gap raises serious questions because many female students with Asperger syndrome are being overlooked and may not receive the appropriate educational supports and services. The consequences of a missed or late diagnosis include social isolation, peer rejection, lowered grades, and a greater risk for mental health and behavioral distress such as anxiety and depression during adolescence and adulthood.

Why are fewer girls being identified? Why do parents of girls experience a delay in receiving a diagnosis? Are there gender differences in the expression of the disorder? Answers to these questions have practical implications in that gender specific variations may have a significant impact on identification practices and the provision of educational services for children with autism spectrum disorders (Thompson, Caruso, & Ellerbeck, 2003).

Although few studies have examined gender differences in the expression of autism, we do have several tentative explanations for the under identification and late diagnosis of girls with Asperger syndrome. This article discusses these possibilities and provides a case vignette to illustrate the gender differences relevant to the understanding and timely diagnosis of girls with Asperger syndrome.

Gender Roles

Gender role socialization is critical to understanding why girls with Asperger syndrome are being under identified (Faherty, 2006). Since females are socialized differently, autism spectrum disorders may not manifest in the same way as typical male behavioral patterns (Bashe & Kirby, 2005). For example, girls might not come to the attention of parents and teachers because of better coping mechanisms and the ability to “disappear” in large groups (Attwood, 2007). Girls on the higher end of the spectrum also have fewer special interests, better superficial social skills, better language and communication skills, and less hyperactivity and aggression than boys (Gillberg & Coleman, 2000). Likewise, girls are more likely than boys to be guided and protected by.

When I think of my earliest years, I recall an overwhelming desire to be away from my peers. I much preferred the company of my imaginary friends- -Liane Holliday Willey (1999)

Same gender peers have special interests that appear to be more gender appropriate (Attwood, 2006).

These characteristics lessen the probability of a girl being identified as having the core symptom of autism spectrum disorder: an impairment in social skills. In fact, it may be a qualitative difference in social connectedness and reciprocity that differentiates the genders (Attwood, 2007; Kopp & Gillberg, 1992). As a result, parents, teachers, and clinicians may not observe the obvious characteristics associated with the male prototype of higher functioning autism spectrum conditions such as Asperger syndrome (Kopp & Gillberg, 1992; Nyden, Hjelmquist, & Gillberg, 2000).

  • Although girls may appear less symptomatic than boys, both genders share similar profiles. Research suggests that when IQ is controlled, the main gender difference is a higher frequency of idiosyncratic and unusual visual interests and lower levels of appropriate play in males compared to females (Lord, Schopler, & Nevicki, 1982). As a result, the behavior and educational needs of boys are much more difficult to ignore and are frequently seen by teachers and parents as being more urgent, further contributing to a referral bias (Kopp & Gillberg, 1992).
  • Over reliance on the male model with regard to diagnostic criteria contributes to a gender “bias” and under diagnosis of girls (Kopp & Gillberg, 1992; Nyden et al., 2000). Clinical instruments also tend to exclude symptoms and behaviors that may be more typical of females with autism spectrum disorders.

Conclusion and Recommendations

Asperger syndrome may have a different profile in girls than boys, which in turn, might not be recognized as an autism spectrum disorder (Thompson et al., 2003). While the gender gap in Asperger syndrome has yet to be empirically investigated, if girls do process language and social information differently than boys, then clinical and educational interventions based largely on research with boys may be inappropriate.

As a result, girls may receive less than optimal academic and behavioral interventions and not realize their potential. Further research is urgently needed to examine the similarities and differences between males and females to determine whether the diagnostic definition of Asperger syndrome is valid for both boys and girls (Attwood, 2007). If gender specific variations do exist, then the predictive validity of the diagnosis and developmental course may well differ between the sexes.

In the meantime, educators and school personnel should question the presence of an autism spectrum disorder in female students who may be referred for internalizing problems such as anxiety or depression. Additionally, when a girl presents with a combination of social immaturity, preservative or circumscribed interests, limited eye gaze, repetitive, social isolation, high levels of anxiety and attention problems, and is viewed as “passive” or “odd” by parents, teachers or peers, the likelihood of an autism spectrum disorder should be considered (Wagner, 2006).

Lee A. Wilkinson, PhD is a nationally certified school psychologist and adjunct faculty member at Nova Southeastern University with a practice and research interest in the identification and assessment of children with autism spectrum conditions.
doodle

philosophy studies

Recently I’d decided to made some professional changes in my life, and Philosophical studies are in such context.

Unfortunately, for the time being there aren’t enough conditions for me to attend college in this sense (yet I already own a major degree, in a different area), so… The best I can do for myself for now is reading Philosophy books, as many as I can (whether purchased or borrowed).

Studies has been taken in an organised way, though, commencing from the very start – i.e. from Eastern Philosophy (Chinese-Indian-Persian) and the Ancient Greek. Further philosophical readings/authors should be added in a proper chronological order, following the timeline of the distinct philosophical schools and traditions through the ages.

However, I must stress that my interest on Philosophy is not merely, say, ‘contemplative’ – it’s also scientifical, as many sciences like Physics, Psychology etc. derived themselves from Philosophy (esp. the from Ancient Greek).

Well, I think that’s all, for the time being… Excusez-moi, real life calls 🙂

sobre a inveja (crônica)

Para entender-se um pouco do mecanismo insidioso que a inveja representa, um bom passo é assistir e observar a trama e os personagens de Amadeus (1984), do cineasta tcheco Milos Forman (um dos meus favoritos, diga-se de passagem) – ou, pelo menos, leia-se a peça original do prestigiado e premiado dramaturgo inglês Sir Peter Schaeffer, no qual o filme inspirou-se. A propósito, este mesmo dramaturgo teve outras duas peças suas adaptadas para o cinema, anteriormente: Equus (1977) e The Royan Hunt of The Sun (1970), cujo título em português não lembro, se bem que o mesmo era exibido (e eu assistia) nas sessões coruja da vida, no meu tempo de garota.

Falando da peça Amadeus lembro-me ainda que a mesma, nos anos 80, foi montada no Brasil, com Raul Cortez (1932-2006) no papel de Salieri. Não assisti a essa montagem, infelizmente; mas, com um ator do porte de Raul Cortez no elenco, deve ter sido fantástico, uma vez que o saudoso – e extraordinário – ator era garantia de bons espetáculos. E Equus também foi brindada com uma montagem brasileira na década de 70, na mesma época em que o filme homônimo foi lançado.

Não me perderei aqui em comentários sobre a a peça Amadeus – adaptada em clima mais light às telas – ou a obra do dramaturgo inglês como um todo, assim como as características mais marcantes de suas peças (constantes, aliás, em qualquer boa peça teatral que se preze): diálogos densos e igualmente densa caracterização psicológica dos personagens, entre outros. E, de mais a mais, em um país como o Brasil, Teatro é – apesar de alguns bons momentos, naturalmente – um terreno inevitavelmente ingrato. Por outro lado, enquanto Forman “amaciou” Amadeus para o público de cinema, as versões cinematográficas de Equus e The Royal Hunt… (que não são do mesmo diretor, veja-se bem) permaneceram mais fiéis às respectivas versões teatrais originais.

Apenas comento sobre Amadeus, the motion picture (não resisti), este mais acessível; afinal, qualquer locadora minimamente sortida deve tê-lo em seu acervo, disponível para aluguel. Se bem que, por tratar-se de um filme tão bom, desses de que JAMAIS enjôo, tratei de devidamente incorporá-lo ao meu acervo particular de DVDs. Com um detalhe: a cópia de que disponho é a chamada versão do diretor, com alguns cruciais minutos a mais que acabam por desvendar uma nova dimensão tanto ao próprio enredo quanto aos olhos do espectador atento – diferentemente da versão veiculada nos cinemas no ano de sua estréia nos cinemas, e por mim assistida à época.

Na trama – e aqui chegamos ao ponto -, toda uma psicologia da inveja é esmiuçada, e não apenas através do músico Salieri, mas também de toda a concorrência da corte austríaca daqueles idos do século XVIII, que via no talento de Mozart uma verdadeira ameaça, por assim dizer.

Na versão veiculada por ocasião da estréia do filme, o tom maniqueísta é mais forte: Salieri, esse “monstro” medíocre e certinho minando aos poucos, com seu olhar seca-pimenteira, a energia do genial e indisciplinado concorrente.

Porém, na versão do diretor em DVD aqueles preciosos minutos a mais desvelam uma dimensão mais humana dos dois rivais (ou “inimigos íntimos”?), de suas respectivas condutas – e, sobremaneira, motivações pessoais. Desta forma, entende-se porque Salieri passou a odiar Mozart e como este por seu turno não era, a despeito de toda sua genialidade, florzinha que se cheirasse. Pois, como o próprio cartunista Henfil ( 1944-1988 ) resumiu, certa vez: “Arte e caráter não têm nada a ver uma coisa com outra. Infelizmente, ou felizmente”. Humanos feitos do mesmíssimo barro, no qual misturam-se virtudes, defeitos e limitações, enfim.

Desta forma, assim como Salieri, lá no íntimo de seu ser, reconhecia a genialidade de seu concorrente, a inveja é, como bem definiu alguém conhecido meu, certa vez, uma admiração azedada: no fundo, o invejoso admite os méritos do objeto de seu sentimento deletério, embora não dê o braço a torcer jamais.

Portanto, digamos que retifico a moral de uma antiga fábula, a qual apregoava que “a inveja não admite o mérito”: admite, sim – embora, repetindo, não dê o braço a torcer, preferindo antes puxar o tapete.

Porque, em nossa humanidade limitada e mesquinha, acabamos por perturbadoramente enxergar-nos muitíssimo mais em Salieri, por mais que não o desejemos: todos somos um pouco como ele. Ele está em cada um de nós, como realmente somos. E ele é de fato como autoproclama-se, apoteótico, o “santo padroeiro” da nossa mediocridade.

…E o caminhão de gás, alheio a tudo segue, impávido, assassinando Für Elise.

#fashion #event (4): #red carpet

P.S.: segue um vídeo feito como trabalho de pós-graduação.

my Web Horror Show

Apresentando a vocês, o melhor do pior – em vídeos cuidadosamente selecionados de vários lugares e idiomas possíveis como, digamos, Meu Horror Show Particular ou, pelo menos, minha singela homenagem à chamada mídia-má-feia-e-bobona :O) Alguns dos vídeos exibem situações (involuntariamente) engraçadas; outros, cenas ou coisas simplesmente inacreditáveis. Rir, para não chorar.
Por outro lado, infelizmente todos, ou pelo menos vários vídeos compilados não dispõem de traduções legendadas.
De qualquer modo, espero que esta seleção divirta vocês. Como sempre faço com as outras playlists, esta também é freqüentemente atualizada.
Now introducing, the best of the worst – on carefully selected videos from several places and in several languages as possible as, say, My Private Horror Showor, at least, my ‘humble’ tribute to the so-called wicked media :O) Some of the videos show (involuntarily) funny situations; others, just plainly unbelievable scenes or things. As we brazilians use to say, “laugh for not to cry”.
On the other hand, unfortunately all or at least most videos compiled do not have translated subtitles.
Anyway, I hope this selection will keep you amused. Like I always do with the other playlists, this one is regularly updated, too.