netiquette – pano para manga (2)

Quando resolvo ensaiar alguma coisa sobre netiqueta, não se trata de “ditar regras” e sim de refletir com base em experiências próximas – e próprias, também.

Desta forma, hoje resolvi escrever um pouco sobre aqueles convites virtuais que se postam no Facebook (recurso para o qual também apelo, quando necessário).

Quem já conhece o recurso, sabe muito bem das ferramentas de que o mesmo dispõe, incluídos aqueles botõezinhos lá no topo da página que disponibilizam aos convidados as opções de aceitar, recusar ou responder com um “talvez” ao evento. OU, simplesmente, não responder, conforme a conveniência do freguês.

Penso que, no caso daqueles que decidem clicar em “RECUSAR” (ou “declinar”), fica implícita uma certa responsabilidade, uma vez que as recusas também estão lá publicadas na página do evento. Trocando em miúdos: àqueles que recusam o convite, caberia responder – agradecendo, justificando a ausência (se possível) e, porque não dizê-lo, desejar boa sorte, sucesso, felicidades etc.

E, para aqueles que me acusam de chata, respondo: não, não estou sendo chata coisíssima nenhuma. Pelo contrário, estou sendo BEM pega-leve, uma vez que não estendo o critério acima especificado àqueles que simplesmente não respondem, ou respondem com um “talvez”. Aí sim, certamente seria exigir demais, rabugice mesmo.

A questão é a de que, conforme já mencionado, as recusas TAMBÉM ficam lá, públicas, no mural, tanto quanto as confirmações ou os “talvezes”. E, convenhamos: nestas circunstâncias, recusar OFICIALMENTE sem nada responder fica chato, e no plano online não seria muito diferente. Talvez até pior, justamente pelo fato das recusas também aparecerem lá para quem quiser ver.

Pensem bem.

img_20180224_092612593_hdr

relatividade

Se uma criança de 3 anos de idade apodera-se de alguns lápis de cor, ou de um punhado de giz de cera de cores variadas, ou de alguns potes de guache, e põe-se rabiscar-borrar a parede da sua casa… Aí todo mundo fica estressado, paga-se sapo para a pobre criança (“Veja só o que você fez!”) etc.

Agora, se um adulto faz a MESMA coisa em papel, tela ou o que for – até mesmo em uma parede! -, e ainda floreia a sua criação com uma elaborada explicação do seu “processo criativo” (de preferência como um discurso o mais críptico possível, de cunho filosófico-metafísico), então é “arte”, é “GENIALIDADE”, ou o que mais queira a panelinha de basbaques denominar. Ah sim, ia me esquecendo: se puder, o adulto em questão ainda atribui à sua “obra” um título de igual cunho hermético-metafísico, para conferir o toque de “genialidade”; a panelinha sempre adora.

Este é o mundo da arte contemporânea tal como ela se apresenta por aí – onde até materiais como cocô já foram elevados à categoria de “obra de arte” (uma autocrítica deste “sinal dos tempos“, talvez?).

HUMOR, pessoal 😀

P.S.:

20180829_131045

Terra de Ninguém

A coisa chegou a um ponto em que “falta de educação” e “assédio moral” são sinônimos, onde o uso de arrogância moral (parte da qual decorrente daquilo que já chamei, um dia, de “síndrome do direito adquirido”) chega a colocar pessoas sob constrangimento. Publicamente, também. Arrogância protagonizada por todo tipo de gente, em diferentes locais e situações.

Falo da VIDA REAL.

Já senti na pele constrangimentos assim, bem como haver presenciado situações em que outras pessoas tiveram experiência semelhante: porque esta já é uma Terra de Ninguém. Sem volta.

Volta? Do jeito que a coisa anda… Só um milagre.

Fica aqui o desabafo.

#dinner #party #fisheye #events

Uma publicação compartilhada por Iracema (@immb95) em

//platform.instagram.com/en_US/embeds.js

immb-acrilico-sobre-papel-11-x-16cm-2017-2

(des)encontros

O poema QUADRILHA, de Drummond, sintetiza de forma magistral os encontros e desencontros que fazem parte da vida – processos que também manifestam-se dentro do grupo retratado no livro de Maria Adelaide Amaral, Aos Meus Amigos (editado em 1992 e recentemente relançado pela Editora Globo): velhos amigos reúnem-se, após um grande tempo sem se verem – separados pela vida e pelas vivências -, tendo como agente desencadeador da reunião o suicídio de um amigo comum. Se bem que tal argumento, empregado no romance, havia sido anteriormente explorado no filme The Big Chill (no Brasil, sob o título O Reencontro), de 1983, dirigido por Lawrence Kasdan e estrelado por Glenn Close, William Hurt e Jeff Goldblum, entre outros.
A partir daí, a narrativa desenvolve-se em torno dos confrontos, encontros e desencontros experimentados pelo grupo, cada qual com suas idiossincrasias, inquietações, antigos ideais de juventude transformados (ou destruídos), desilusões e angústias existenciais àquela altura de suas vidas entradas na maturidade, tendo como elemento identificador comum o fato de pertencerem a uma determinada geração – no caso, a dos anos 60, época caracterizada por grandes transformações sócio-político-culturais, no Brasil e em várias partes do mundo, principalmente EUA e Europa.
E, onipresente a tudo, talvez o grande desencontro entre todos os personagens da trama: a paixão, jamais resolvida, entre Léo (o suicida) e Lena.
O título do livro é claro, neste sentido: trata-se de um livro dirigido e dedicado, pela autora, aos seus amigos – ou pelo menos às pessoas que vivenciaram e de alguma forma identificam-se nos dilemas e conflitos da geração em questão; se bem que, mesmo não necessariamente pertencendo-se a ela, o teor existencial da mensagem contida no livro ainda vale.
Por outro lado, estas tratam-se de sagas que talvez só sejam plenamente compreendidas por quem já passou dos 30 anos em diante – faixas etárias da idade adulta, da maturidade, nas quais, de uma forma ou de outra, acumulam-se vivências suficientes para uma compreensão satisfatória dos intrincados mecanismos dos relacionamentos humanos, bem como das voltas e reviravoltas que a vida dá (processos que dificilmente seriam plenamente compreendidos por um adolescente ou alguém nos seus vinte e poucos).
Li o livro de Maria Adelaide Amaral na época em que foi lançado e, desde então, me pego relendo-o várias vezes; simplesmente por identificar-me (em maior ou menor intensidade, conforme o caso) com alguns daqueles personagens, os quais são inspirados no próprio círculo de amizades da autora (incluindo a própria) – sob nomes e biografia forjados, e idéias rigorosamente verdadeiras. E, para todos os efeitos, pela experiência de vida que vai sendo acumulada através dos anos, é impossível não identificar algum dos desencontros e conflitos existenciais vividos por aquela gente em nós: eu, você, pessoas próximas… Tanto no poema de Drummond quanto no livro. Ou mesmo no filme.

©2007, Iracema Brochado

img_20180202_100443331_hdr1

sobre a inveja: o vídeo

Nesta semana fiz um vídeo, como “dever de casa” para o o curso de Especialização em Artes Visuais, e posto-o aqui, também: uma análise do filme Amadeus, de Milos Forman, precisamente sobre a versão do diretor, lançada em edição comemorativa dos 20 anos de estréia do filme nos cinemas e cujo DVD consta no meu acervo pessoal. O trabalho permitia a escolha de um filme – qualquer um.
Quanto ao vídeo, na verdade trata-se de adaptação de um artigo postado em 2008 em outro blog meu (já extinto), “Sobre a Inveja”. Um esforço foi feito para adaptar-se o texto a uma linguagem mais objetiva como o veículo em questão exige, e que não excedesse 5 minutos.
Tanto no artigo original quanto no vídeo, ensaia-se um cotejamento entre as 2 versões do filme de Forman (ou seja, a que estreou nos cinemas em 1984 e a versão do diretor) e, em um segundo plano, a própria peça do dramaturgo inglês Peter Shaeffer, na qual o filme se baseou.

Protected by Copyscape Online Infringement Detector

Os Artistas Fora da Mídia | The Artist Out of The Media

OBS.: o texto a seguir está devidamente creditado; portanto, não se trata de um daqueles abomináveis apócrifos, com que tanto  enchem a caixa de correio – e o nosso saco, também.

OS ARTISTAS FORA DA MÍDIA

Por Artur da Távola (1936-2008 – advogado, escritor, jornalista e professor). Publicado originalmente no Jornal O DIA, do Rio de Janeiro, em 16/07/1998.
Nunca iluda um artista fora da mídia. Ele é um anjo que se tornou triste. E sobretudo jamais o desiluda. É pecado mortal dizer ou pensar: “Coitado, esse acabou e não sabe”. Não seja piedoso por hipocrisia: ele percebe. Tenha paciência com suas queixas e busque compreender-lhe a arte. Há dois tipos de artista fora da mídia: os muito superiores ao que em cada momento domina o mercado, e os muito inferiores. Um acaba injustamente infeliz, o outro acaba chato. Mas o sonho de ambos é simples e santo: existir, disseminar vivências sensíveis, ter o direito de mostrar quem são.
Vítima do implacável teor seletivo do mercado e seus ávidos especialistas, por justos ou injustos critérios, com ou sem qualidade artística, deixa de vender discos, livros e de atrair público.
Vai para o apartheid da fama. O artista fora da mídia é alma no limbo. Aguarda veredito do Destino com o olhar cavo e machucado de certos cães. Expulso da passarela iluminada, ele amarga injustiças e não entende o que acontece e por que resta esquecido. Espremido entre o orgulho de não pedir e a dor da discriminação, divide-se entre os que se conformam, entristecidos, e os que se fazem ressentidos e descobrem argumentos, justos e injustos, contra os que não os chamam para atuar. Jamais prometa a um fora da mídia o que não poderá fazer. Mais vale um não sincero que um sim impossível de ser cumprido.
Jamais o receba com ar de enfado ou palavras de consolação. Tampouco com esmolas afetivas. Ou lhe dê trabalho ou lhe fale franco. Ele é um ser de sofrida solidão e terna dependência de reconhecimento e carinho. Uiva saudades para as luas imaginárias de suas lembranças. É um tipo de excluído que não está nos manuais dos direitos humanos.
Que Deus dê a todo e toda artista fora da mídia paciência e esperança suficientes para prosseguir. Às vezes o reconhecimento chega depois. Até mesmo quando já não importa.
P.S.: esta crônica é dedicada a Gerdal dos Santos, que em seu programa “Onde Canta o Sabiá” aos domingos de manhã na Rádio Nacional dá calor, carinho e guarida a artistas fora da mídia.

ENGLISH VERSION – an attempt made with a little hand of a good friend, an English teacher [translation by Iracema Brochado]

THE ARTIST OUT OF THE MEDIA

by Artur da Távola (1936-2008 – Brazilian writer, essayist, journalist and professor), first published in O DIA, a Brazilian newspaper from Rio de Janeiro city, on July 16th of 1998.
Never deceive an artist out of the media. They’re an angel that has become sad. And above all, never ever disenchant them. It is a mortal sin uttering or thinking: “Poor fellow, they’re finished and still don’t know it”. Don’t be pitiful by falseness: they perceive so. Be patient with their complaints and try to understand their art. There are two kinds of artist out of the media: the ones way above those who sporadically dominate the market and the second-class ones. The former becomes unfairly unhappy, the latter dull. But the dream of both is simple and pure: to exist, to spread sensitive existences, to have the right to show up who they are.
Victim of the merciless selective purposes of the market and its greedy specialists, guided by either fair or unfair criteria, with artistic quality or not, they quit selling records, books and drawing audiences altogether.
They go into the apartheid of Fame. The artist out of the media is a soul in limbo. They await the sentence of Fate with a hollowed and hurt look of certain dogs. Expelled from the illuminated stage, they withstand injustices and don’t understand what goes on and why they remain forgotten. Wedged between the pride of not begging and the pain of discrimination, they end up being divided between those who get conformed, saddened, and those resentful which find arguments, both fair and unfair, against those who don’t invite them to perform. Never ever promise to an out-of-the-media what you can’t do. More it is worth a sincere NO than a YES impossible of being fulfilled.
Never ever greet them with unpleasant looks or consolation words. Nor with handouts of sympathy. Either just offer work or speak to them frankly. They are beings of suffering solitude and gentle dependence on recognition and care. They howl nostalgias to the imaginary moons of their memories. They’re a kind of outcast not currently listed in Human Rights’ handbooks.
May God give every artist out of the media patience and perseverance enough to carry on. Sometimes recognition arrives later. Even when it doesn’t matter anymore.
P.S.: this article is dedicated to Gerdal dos Santos, who in his program “Onde Canta o Sabiá” [Where the Sabiá Bird Sings], Sunday mornings on Rádio Nacional [a Brazilian radio station from Rio de Janeiro], brings warmth, care and shelter to artists out of the media.

img_20180202_100443331_hdr

“animais políticos” X “bichos do mato”

O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam.
A citação acima, do historiador britânico, inicialmente é daquele tipo de frase que pode ser interpretada ao bel-prazer dos diferentes “grupos de interesse”.
A interpretação apresentada aqui toma o termo “política” não no sentido corriqueiro, banalizado até, tal como vemos – e lemos – nos noticiários, mas atribuindo-lhe um conceito mais abrangente, neste entendendo-se política como uma espécie de arte da convivência, seja em grupos ou na sociedade como um todo.

Desta forma, depreende-se que “o maior castigo para aqueles que não se interessam por política” – isto é, vivendo à margem das coisas e dos fatos, andar na contra-mão dos mesmos, adotando comportamentos chocantes como toda uma, digamos, opção de vida – pagarão o preço, obviamente alto (como demonstrado pelos processos históricos e culturais, através dos tempos), cedo ou tarde sendo suplantados por “aqueles que se interessam”: os “animais políticos”, tão caros a Aristóteles, existentes em VÁRIOS setores (mais do que se pensa) da vida em sociedade, seja em Política, Artes, Cultura ou Economia.

Por outro lado, esta discorrência fez-me lembrar do artigo Egrégora, reproduzido aqui neste blog, no sentido de atribuir ao termo um significado “político” – sendo o o termo “política” tomado no sentido realista, da vida como ela é, da convivência quotidiana entre seres humanos (com seus prós e contras), e não como alguns a idealizam. Por esta razão atribuo, por tabela, um sentido político e ao mesmo tempo IRÔNICO a “Egrégoras” em geral.

Seria, basicamente, um conflito entre “animais políticos” e “bichos do mato” *, onde o “animal político” seria aquele com habilidade para discernir os prós e contras da situação, do momento presente e também a longo prazo… E o “bicho do mato”, o que não vê nem pesa tais fatores (por inabilidade ou por vontade própria).

* aqui contrapondo-se, com fins não menos irônicos, a expressão aristotélica e a popular.

img_20180520_143900300_hdr

entrevista: Fagner

Nesta entrevista, publicada na edição de nº 1928 da revista VEJA (26/10/2005), o cantor Raimundo Fagner – ou simplesmente Fagner, como é conhecido no Brasil – demonstra uma atitude um tanto rara (problemática geral, no mundo inteiro – por favor, nada de supervalorizar-nos com aquela lenga-lenga terceiro-mundista do tipo “isto-só-acontece-no-nosso-país”) no meio artístico: a AUTOCRÍTICA. Por experiência própria, já havia constatado que, por trás de toda aquela atitude ‘benemerente’ e ‘liberal’ não se escondem mais do que coisas como hedonismo rasteiro, niilismo medíocre, jingoísmo troglodita ou desejo simplesmente egoísta de autopromoção… Ou tudo isso, junto. Até quando, só o Deus de cada um sabe; talvez nunca.

“COMIGO É NO TAPA”
(Entrevista concedida a Juliana Linhares)

Independente, rebelde e briguento, o cantor Fagner diz que os artistas brasileiros se dobraram à ditadura do “politicamente correto”.

“Fiquei louco com aqueles artistas posando de anjinhos ao lado do SIM*. Eles tinham de pôr a cara na TV para cobrar o Lula”


Em Fortaleza, onde voltou a morar no ano passado, ele é “dom Fagner”. Dono de pontos de vista polêmicos e de uma carreira que já dura mais de trinta anos, o cantor Raimundo Fagner, de 56 anos, vive com a casa cheia. “É um entra-e-sai danado. É gente precisando de dinheiro, querendo ajuda, pedindo conselho, uma loucura.” O último item, sobretudo, ele distribui generosamente. Dá palpites na vida da senadora Patrícia Gomes, do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, do ministro Ciro Gomes e do senador e ex-governador Tasso Jereissati – todos seus amigos há décadas. Assim como sua voz, que no início da carreira um crítico disse ser de “taquara rachada”, as opiniões de Fagner nem sempre soam doces aos ouvidos do meio artístico. Nesta entrevista, o cantor – cujo mais recente CD, Donos do Brasil, foi indicado ao Grammy Latino – acusa os colegas de se omitirem diante da crise do governo que ajudaram a eleger, critica a obsessão dos artistas pelas opiniões “politicamente corretas” e diz que Lula só não sofreu impeachment até agora por incompetência da oposição.

Veja – Recentemente, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o senhor criticou os artistas que apóiam publicamente o desarmamento dizendo que são todos “maria-vai-com-as-outras”. O que quis dizer com isso?
Fagner – Quis dizer que artistas costumam agir em bando, só seguindo a manada. Querem sempre ser “bonzinhos”, “de esquerda”, “do bem” – e, muitas vezes, nem refletem sobre o que estão dizendo. Esse referendo sobre o desarmamento – que eu acho, antes de tudo, inoportuno – é um exemplo. Tenho certeza de que muitos atores e cantores são contra o desarmamento. Mas você acha que eles têm coragem de ir à TV dizer isso? Têm medo de parecer politicamente incorretos. Fiquei louco quando vi aquele monte de artistas posando de anjinhos ao lado do SIM. Eles deveriam era botar a cara na televisão para exigir explicações do presidente. Afinal, foram eles que colocaram o Lula lá. Só que, agora, não têm coragem de vir a público dizer que estão decepcionados com ele.

Veja – E por que não teriam essa coragem?
Fagner – Porque artista é vaidoso demais para dizer que errou. [Grifo da blogueira] O resultado é este: fica o presidente de um lado, dizendo que não sabia de nada, e os artistas, que o elegeram, de outro, sem acreditar nessa balela, mas sem peito para botar a boca no trombone.

Veja – De quem o senhor está falando?
Fagner – De Gilberto Gil, que está lá, junto de Lula. De Caetano Veloso, que está calado. De Chico Buarque, que só declarou que está triste. O que se passa na cabeça de uma Fernanda Montenegro, que não diz nada numa hora dessas? A vida toda eu apoiei, no Ceará, o [hoje ministro] Ciro Gomes e o [hoje senador] Tasso Jereissati. Se um dia aparecer alguma ladroagem de um dos dois, eu vou ser o primeiro a falar.

Veja – De que forma esses artistas deveriam se manifestar, na sua opinião?
Fagner – Você já imaginou o impacto que poderia ter uma carta pública de Chico Buarque para o presidente Lula? E já imaginou se o Zezé Di Camargo falasse alguma coisa? Mas ele não fala. Está sem tempo e também tem umas dívidas para receber do PT. No lugar deles, vem essa filósofa, Marilena Chauí, defender o indefensável. Assisti a uma entrevista dela outro dia. Durante duas horas ela ficou nesse negócio de “filosoficamente falando”. Parecia que no dicionário dela não existia a palavra “corrupção”. E fica um bando de abestados achando ótimo o que ela diz.

Veja – O senhor disse que admira Caetano Veloso, mas já teve diversas brigas com ele que se tornaram públicas. Qual a razão desses desentendimentos?
Fagner – Tem uma história que diz que baiano não “nasce”, baiano “estréia”. E Caetano tem um problema de ego: quer sempre aparecer. Quando não tem assunto, vai à mídia e diz que é melhor que o Chico Buarque e o Milton Nascimento juntos.

Veja – E por que vocês brigam?
Fagner – A primeira briga que tive com Caetano foi logo quando cheguei do Ceará. Ele convidou a mim e a outros artistas para irmos a sua casa, no Rio de Janeiro. Eu era um novato na turma, nem tinha gravado nada ainda, acho que era no comecinho dos anos 70. Começaram a pedir que ele cantasse. Ele não quis, disse que estava cansado. Eu, então, peguei meu violão e cantei. Todo mundo adorou, menos Caetano, que fechou a cara. Tempos depois, eu estava conversando com Nara Leão quando ele chegou e se pôs de costas para mim. Nunca mais pisei na casa dele.

Veja – Não foi a única briga de vocês…
Fagner – Teve outra. Eu morava no Rio e era começo dos anos 80. Estávamos eu, Roberto Carlos e ele preparando uma canção para o “Nordeste já”. Foi uma mobilização de artistas para angariar fundos para o Nordeste, que havia passado por uma seca enorme. O Roberto, com aquele jeito apaziguador, começou a falar como era legal o fato de eu e Caetano estarmos juntos, depois de brigarmos tanto. Daí, o Caetano foi se lembrando das brigas e se zangando. Eu sabia que ele estava com fome e fui para a cozinha fazer alguma coisa para ele comer. Mas na minha geladeira só tinha um ovo. Fiz o ovo e vinha vindo com ele para dar a Caetano, mas ele continuou falando, falando, querendo confusão. Bom, terminei entrando no pau e jogando o ovo de Caetano no chão. Ele sabe que, comigo, é no tapa. Mas digo: sou doido por Caetano.

Veja – Durante um certo tempo, o senhor foi criticado por não ter se engajado na luta contra o regime militar, ao contrário de artistas como Caetano.
Fagner – Eu era um alienado mesmo. Gostava de ouvir Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Altemar Dutra. Nunca tive embasamento intelectual para fazer música de protesto e não estava interessado em política. Em 1967, quando morreu (o ex-presidente] Castello Branco, que era de Fortaleza, o Ceará ficou de luto. Mas eu e meus amigos nem tínhamos tomado conhecimento da morte dele. Na noite do acidente, fomos fazer uma serenata na porta de um colega que havia passado no vestibular. No meio da cantoria, passou um camburão do Exército e os soldados começaram a atirar. Quando viram que éramos uns imbecis, que não tínhamos a menor idéia do que estava se passando, foram embora e nos deixaram em paz. Eu estava em outro mundo.

Veja – Hoje, como o senhor avalia o governo Lula e a crise pela qual ele está passando?
Fagner – Lula está muito prepotente. Parece que está vendo outro filme e se lixando para a opinião das pessoas. O país está agonizando e ele se nega a assumir a sua responsabilidade. Quem é que manda no Delúbio Soares? No Silvio Pereira? No José Dirceu? É o Lula! Ele só não sofreu impeachment até agora porque a direita brasileira ainda não sabe ser oposição. Sempre tive uma relação especial com o Lula, porque ele era muito ligado ao meu pai e porque, assim como milhões de brasileiros, eu respeitava e respeito a história de vida dele. Mas isso não me impede de falar que ele tem satisfações a dar.

Veja – Como seu pai conheceu o presidente Lula?
Fagner – No fim dos anos 70, eu vim fazer um show em São Paulo e meu pai veio junto. Lula foi ao show e pediu para me conhecer. Ele e meu pai conversaram muito nesse dia. Fiquei em São Paulo por mais uma semana e Lula e meu pai não se desgrudaram. Ele levou meu pai para conhecer as fábricas, mostrava para todo mundo quem era o “pai do Fagner”, apresentou-lhe os seus amigos do sindicalismo… Durante uma semana, Lula chegava ao hotel onde estávamos hospedados e ia direto para o nosso quarto tomar café conosco. Não sei por que eles se identificaram tanto. Só sei que até hoje, quando encontro Lula, ele fala de meu pai.

Veja – O seu pai era libanês. Como ele chegou ao Ceará?
Fagner – Foi nos anos 40, fugindo de guerras no Oriente Médio. Ele deve ter sofrido muito porque vivia tendo pesadelos com o Líbano. A minha infância inteira foi marcada pelos pesadelos de meu pai: ele acordava gritando, sonhando com guerra. Era uma confusão em casa, todos correndo para acudi-lo, para dar-lhe água. Muitos libaneses vieram para o Nordeste naquela época. Sem falar uma palavra em português, meu pai comprou um cavalo e passou não sei quantos dias viajando por cidadezinhas do interior do estado vendendo tecidos que ele havia trazido do Líbano. Teve seis filhos com a minha mãe, que também tem uma voz linda. Na minha casa, sempre foi uma cantoria só. Todo mundo na cozinha, tocando violão e fazendo música. A minha mãe, que está com 94 anos, até hoje não tem um fio de cabelo branco.

Veja – O senhor, aos 56 anos, também não tem. E está magro e em forma. Cuida-se muito?
Fagner – O cabelo eu pinto. Sou magro porque como pouco, fumo muito e jogo futebol feito um doido. Faço parte de times de futebol em todo canto aonde eu vou. Quando eu era moleque, adorava futebol, mas era desnutrido, raquítico e não tinha força para jogar. Quando cheguei ao Rio de Janeiro, na década de 70, fui morar com o Afonsinho, um excelente jogador. Comecei a comer, a tomar ares e a conviver com grandes jogadores, como Pelé e Rivelino. A paixão pelo futebol, então, explodiu. Montamos até um time, que se chamava Trem da Alegria. Faziam parte dele Paulinho da Viola, Rivelino e Gonzaguinha. O time acabou quando viemos jogar contra um time da USP. Tínhamos tomado um porre tão grande de cerveja e cachaça que ninguém conseguia correr. A gente ficava se trombando e caindo pelo campo, uma vergonha.

Veja – Em que posição o senhor joga?
Fagner – Centroavante e ponta-esquerda. Meu negócio é finalizar. Tenho dois campos de futebol no Ceará, mas gosto mesmo é de jogar no campo do Zico, no Rio. O problema é que o Zico é muito bravo. Há trinta anos que eu jogo com ele e tomo bronca e tapa na cara em toda partida. Mas ele tem é inveja de mim, porque eu sempre sou o artilheiro.

Veja – O senhor também já brigou muito com a Rede Globo. Quais foram os motivos?
Fagner – Eu tive duas grandes brigas com diretores da Globo na década de 80. Uma delas foi porque eles fizeram um especial sobre o Luiz Gonzaga e não queriam botar artistas nordestinos para cantar. Quando soube que era um dos únicos nordestinos escalados, fiquei furioso, briguei com todo mundo. Em outro episódio, eles estavam gravando uma novela no Ceará, Final Feliz, e, em vez de colocar uma trilha sonora nordestina, enfiaram uma música caribenha. Esperneei, briguei, virei o cão lá dentro. Por causa disso, eles me deram um gelo de vários anos. Fiquei um tempão sem ter música em novela. Mas isso já passou. Recentemente, emendei três músicas em novelas deles e já vou normalmente aos programas. Só não sou convidado para o Criança Esperança porque cuido de crianças cearenses, e essas não são lembradas pelo programa. Criança Esperança aqui no Ceará quem faz é a minha fundação, Raimundo Fagner, que atende 300 crianças carentes em Fortaleza e em Orós.

Veja – O que o senhor acha de a gravadora da filha de Elis Regina ter dado iPods para os jornalistas escutarem o novo disco dela?
Fagner – O que aconteceu ali foi que o disco da Maria Rita precisava ser um sucesso a qualquer preço. E, pelo que eu sei, ele não é bom. Daí, para sustentar o furacão de vendas que foi o primeiro disco dela, a gravadora fez esse investimento arriscado. O problema da Maria Rita é que o maior apelo dela é a mãe. A cara é da mãe, a voz é da mãe, os gestos são da mãe. Ela quer negar isso, e não dá. Mas é uma gracinha de menina.

Veja – Entre os filhos de artistas que seguiram o mesmo caminho dos pais, quais o senhor admira?
Fagner – A Luciana Mello, filha do Jair Rodrigues, é fantástica. Ela canta muito bem e é linda. A qualidade vocal da Sandy também é inegável. Ela não é uma Elis, mas é boa. A Sandy está agora numa faixa etária decisiva. Saiu da infância e ainda não sabe para que lado vai, se vai para o romântico, para o pop. Precisa se decidir.

Veja – Sua voz não é clássica. É um pouco rouca e até fanhosa. Tem também um forte sotaque cearense. No começo, ela foi bastante criticada.
Fagner – É. Acho que foi o Maurício Kubrusly, no Jornal da Tarde, que disse que eu tinha voz de taquara rachada. Mas eu não levei como uma ofensa. Foi em 1973, eu havia acabado de gravar o meu primeiro disco, o Manera, Fru Fru, Manera. As pessoas ainda não entendiam a minha voz. Mas isso foi há muito tempo. A Nara Leão dizia que eu tinha empatia com o público. Para ela, meu carisma só se comparava ao do Chico Buarque.

Veja – O senhor não se casou até hoje. Por que optou pela solidão se faz tantas músicas sobre o amor?
Fagner – Eu já tive muitos amores platônicos. E levei fora de três pessoas. Hoje, prefiro ter meu espaço, a cama vazia, minha independência. Mas namoro muito. Se puder, tem namoro todo dia lá em casa.

cartao-2

‘follow the leaders’ series (a compilation)

By spending some time watching some YT stuff about our valorous, powerful international leaders (wherever they come from), this playlist has been compiled for my, your, our own amusement.

(Playlist occasionally updated)

texto: Egrégora

O texto reproduzido (e devidamente creditado) a seguir é aparentemente off-topic em se tratando de assuntos culturais e artísticos mas, ao examinar-se atentamente as colocações nele apresentadas sobre o conceito de EGRÉGORA, tais bem poderiam ser aplicáveis aos movimentos artísticos em geral – ou até “em particular”, dependendo do caso -, vários dos quais convergem-se também, com o passar do tempo, em verdadeiras “egrégoras”. Para todos os efeitos, a reflexão poderia estender-se a vários aspectos de nossas vidas (alguns, inusitados – mais do que se possa imaginar).
EGRÉGORA
Amigo de todo mundo, não é amigo de ninguém.
Schopenhauer

Egrégora provém do grego egrégoroi e designa a força gerada pelo somatório de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou mais pessoas, quando se reúnem com qualquer finalidade.

Todos os agrupamentos humanos possuem suas egrégoras características: todas as empresas, clubes, religiões, famílias, partidos, etc.

Egrégora é como um filho coletivo, produzido pela interação “genética” das diferentes pessoas envolvidas. Se não conhecermos o fenômeno, as egrégoras vão sendo criadas a esmo e os seus criadores tornam-se logo seus servos, já que são induzidos a pensar e agir sempre na direção dos vetores que caracterizaram a criação dessas entidades gregárias. Serão tanto mais escravos quanto menos conscientes estiverem do processo. Se conhecermos sua existência e as leis naturais que as regem, tornamo-nos senhores dessas forças colossais.

Por axioma, um ser humano nunca vence a influência de uma egrégora caso se oponha frontalmente a ela. A razão é simples. Uma pessoa, por mais forte que seja, permanece uma só. A egrégora acumula a energia de várias, incluindo a dessa própria pessoa forte. Assim, quanto mais poderoso for o indivíduo, mais força estará emprestando à egrégora para que ela incorpore às dos demais e o domine.

A egrégora se realimenta das mesmas emoções que a criaram. Como ser vivo, não quer morrer e cobra o alimento aos seus genitores, induzindo-os a produzir, repetidamente, as mesmas emoções. Assim, a egrégora gerada por sentimentos de revolta e ódio, exige mais revolta e ódio. No caso dos partidos ou facções extremistas, por exemplo, são os intermináveis atentados. No das revoluções, freqüentemente, os primeiros líderes revolucionários a alcançar o poder passam de heróis a traidores. Terminam os seus dias exatamente como aqueles que acabaram de destronar (segundo Richelieu, ser ou não ser um traidor é uma questão de datas).

Já a egrégora criada com intenções sãs, tende a induzir seus membros a continuar sendo saudáveis. A egrégora de felicidade procura “obrigar” seus amos a permanecer sendo felizes. Dessa forma, vale aqui a questão: quem domina a quem? Conhecendo as leis naturais, você canaliza forças tremendas, como o curso de um rio, e as utiliza em seu benefício.

A única maneira de vencer a influência da egrégora é não se opor frontalmente a ela. Para tanto é preciso ter Iniciação, estudo e conhecimento suficiente sobre o fenômeno. Como sempre, as medidas preventivas são melhores do que as corretivas. Portanto, ao invés de querer mudar as características de uma determinada egrégora, o melhor é só gerar ou associar-se a egrégoras positivas. Nesse caso, sua vida passaria a fluir como uma embarcação a favor da correnteza. Isso é fácil de se conseguir. Se a egrégora é produzida por grupos de pessoas, basta você se aproximar e freqüentar as pessoas certas: gente feliz, descomplicada, saudável, de bom caráter, boa índole. Mas também com fibra, dinamismo e capacidade de realização; sem vícios nem mentiras, sem preguiça ou morbidez. O difícil é diagnosticar tais atributos antes de se relacionar com eles.

Uma vez obtido o grupo ideal, todas as egrégoras geradas ou nas quais você penetre, vão induzi-lo à saúde, ao sucesso, à harmonia e à felicidade.

Os antigos consideravam a egrégora um ser vivo, com força e vontade próprias, geradas a partir dos seus criadores ou alimentadores, porém, independente das de cada um deles. Para vencê-la ou modificá-la, seria necessário que todos os genitores ou mantenedores o quisessem e atuassem nesse sentido. Acontece que, como cada um individualmente está sob sua influência, praticamente nunca se consegue superá-la.

Se você ocupa uma posição de liderança na empresa, família, clube, etc., terá uma arma poderosa para corrigir o curso de uma egrégora. Poderá afastar os indivíduos mais fracos, mais influenciáveis pelos condicionamentos impostos pela egrégora e que oponham mais resistência às mudanças eventualmente propostas. É uma solução drástica, sempre dolorosa, mas, às vezes, imprescindível.

Se, entretanto, você não ocupa posição de liderança, o mais aconselhável é seguir o ditado da sabedoria popular: os incomodados que se mudem. Ou seja, saia da egrégora, afastando-se do grupo e de cada indivíduo pertencente a ele. Isso poderá não ser muito fácil, mas é a melhor solução.

Outro fator fundamental neste estudo é o da incompatibilidade entre egrégoras. Como todo ser humano está sujeito a conviver com a influência de algumas centenas de egrégoras, a arte de viver consiste em só manter no seu espaço vital egrégoras compatíveis. Sendo elas, forças grupais, um indivíduo será sempre o elo mais fraco. Se estiverem em dessintonia umas com as outras, geram um campo de força de repulsão e se você está no seu comprimento de onda, ao repelirem-se mutuamente, elas rasgam-no ao meio, energeticamente. Dilaceram suas energias, como se você estivesse sofrendo o suplício do esquartejamento, com um cavalo amarrado em cada braço e em cada perna, correndo em direções opostas.

Esse esquartejamento traduz-se por sintomas, tais como ansiedade, depressão, nervosismo, agitação, insatisfação ou solidão. Num nível mais agravado, surgem problemas na vida particular, familiar, afetiva, profissional e financeira, pois o indivíduo está disperso e não centrado. No grau seguinte, surgem neuroses, fobias, paranóias, psicopatologias diversas, que todos percebem, menos o mesclante. Finalmente, suas energias entram em colapso e surgem somatizações concretas de enfermidades físicas, das quais, uma das mais comuns é o câncer.

Isso tudo, sem mencionar o fato de que duas ou mais correntes de aperfeiçoamento pessoal, se atuarem simultaneamente sobre o mesmo indivíduo, podem romper seus chakras, já que cada qual induz movimento em velocidades, ritmos e até sentidos diferentes nos seus centros de força.

Com relação à compatibilidade, há algumas regras precisas, das quais pode ser mencionada aqui a seguinte: as egrégoras semelhantes são incompatíveis na razão direta da sua semelhança; as diferentes são compatíveis na razão direta da sua dessemelhança. Você imaginava o contrário, não é?

Todo o mundo se engana ao pensar que as semelhantes são compatíveis e ao tentar a coexistência de forças antagônicas, as quais terminam por destruir o estulto que o intentar.

Quer um exemplo da regra acima? Imagine que um homem normal tenha uma egrégora de família, uma de profissão, uma de religião, uma de partido político, uma de clube de futebol, uma de raça, uma de país e assim sucessivamente. Como são diferentes entre si, conseguem coexistir sem problemas. Aquele homem poderia ter qualquer profissão e qualquer partido político, torcer por qualquer clube e freqüentar qualquer igreja.

Agora imagine o outro caso. Esse mesmo homem resolve ter duas famílias, torcer para vários clubes de futebol, pertencer a partidos políticos de direita e de esquerda ao mesmo tempo, exercer a medicina e a advocacia simultaneamente e ser católico aos domingos, protestante às segundas e judeu aos sábados! Convenhamos que a pessoa em questão é psiquiatricamente desequilibrada. Não obstante, é o que muita gente faz quando se trata de seguir correntes de aperfeiçoamento interior: a maioria acha que não tem importância misturar aleatoriamente Yôga, tai-chi, macrobiótica, teosofia e quantas coisas mais se lhe cruzarem pela frente. Então, bom proveito na sua salada mista!

[…]

(do livro Faça Yôga antes que você precise, de Mestre DeRose)

img_20180526_100936005_hdr