nova etapa na vida

Ao que tudo indica, este blog terá um bom motivo para atualizar-se com mais frequência, pelos próximos 4 anos (creio!): passei no último vestibular da Universidade de Brasília para Filosofia, a qual será cursada como uma segunda graduação (antigo projeto de vida). O resultado foi divulgado pelo CESPE no dia 13 último – significativamente, uma sexta-feira. “Significativamente”, sim, uma vez que sextas-feiras 13 sempre foram dias no mínimo normais, para mim; esta, então, tornou-se especial em minha vida. Fui para as provas sem ter feito cursinho algum – pelo puro e simples motivo de falta de numerários, tendo contado apenas com a internet para me preparar, por todos esses meses. Sim, se você se disciplinar um pouquinho, internet pode ser uma poderosa aliada nos estudos.

Se eu não tivesse passado agora, talvez na próxima tentativa eu fizesse vestibular para Artes Plásticas, outra área de meus interesses – já que tenho uma carreira na área desde 1983. Mas, estou super-satisfeita, por ser Filosofia uma área de interesse TAMBÉM, igualmente de longa data =)

A única coisa pela qual terei de aguardar com paciência de Jó (e COMO tento!) – juntamente com algumas centenas de aprovados como eu – será o prazo para efetivar o registro como aluna da instituição, prazo que encontra-se em suspenso por causa da greve que assola todas as federais do País.
Por enquanto, o recado que dou é o seguinte: nunca é tarde para realizarmos nossos objetivos, ou para reconstruirmos nossas vidas (o que vem a ser meu caso… Mas é uma longa história). Mesmo se você fracassar em tentativas anteriores, como ocorreu comigo anteriormente, não desista. Afinal, Sri Swami Sivananda já disse, um dia:

If you attempt to develop your will you should always try to maintain a cool head. You should keep a balanced mind under all conditions. You may fail in fifty attempts, but from the fifty-first endeavour you will get strength of will. You will slowly manifest balance of mind. So never get discouraged.

P.S.: o detalhe é o de que, se havia falhado em tentativas anteriores, foi pelo fato de não estar suficientemente centrada em meus objetivos e estratégias adotadas – mas desta vez foi diferente.

Kinda #doodle quilt

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reflexão

Não faço parte dessa estética, digamos, escatológico-forense que tomou conta de determinados segmentos da arte contemporânea. (E os incomodados, que se incomodem – ui!)

Se de um lado pretendo reformular meu próprio relacionamento com a Arte (“puxar uma DR” com a mesma talvez, como dir-se-ia nestes dias e tempos), não significa que eu não tenha o direito de escolher o caminho ou linguagem nos quais me identifique mais.

E, na escolha que faço, sinto mais liberdade para criar e relacionar-me com a vida, as pessoas e a própria arte, refletindo-se a mesma liberdade na disposição para viver.

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joio X trigo

Na dita mídia algumas pessoas sofrem de verdade, como nestes casos – enquanto noutros, parece-se aproveitar da condição influente exercida no momento, em um misto de mau gosto e indignidade (tome-se ainda a “cultura do coitadinho”, tão cara a estas plagas, como “agravante”).

Resumidamente, parece assim a coisa.

A questão é saber discernir.

A great #sunday #statigram #1millionusers

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netiquette – pano para manga (2)

Quando resolvo ensaiar alguma coisa sobre netiqueta, não se trata de “ditar regras” e sim de refletir com base em experiências próximas – e próprias, também.

Desta forma, hoje resolvi escrever um pouco sobre aqueles convites virtuais que se postam no Facebook (recurso para o qual também apelo, quando necessário).

Quem já conhece o recurso, sabe muito bem das ferramentas de que o mesmo dispõe, incluídos aqueles botõezinhos lá no topo da página que disponibilizam aos convidados as opções de aceitar, recusar ou responder com um “talvez” ao evento. OU, simplesmente, não responder, conforme a conveniência do freguês.

Penso que, no caso daqueles que decidem clicar em “RECUSAR” (ou “declinar”), fica implícita uma certa responsabilidade, uma vez que as recusas também estão lá publicadas na página do evento. Trocando em miúdos: àqueles que recusam o convite, caberia responder – agradecendo, justificando a ausência (se possível) e, porque não dizê-lo, desejar boa sorte, sucesso, felicidades etc.

E, para aqueles que me acusam de chata, respondo: não, não estou sendo chata coisíssima nenhuma. Pelo contrário, estou sendo BEM pega-leve, uma vez que não estendo o critério acima especificado àqueles que simplesmente não respondem, ou respondem com um “talvez”. Aí sim, certamente seria exigir demais, rabugice mesmo.

A questão é a de que, conforme já mencionado, as recusas TAMBÉM ficam lá, públicas, no mural, tanto quanto as confirmações ou os “talvezes”. E, convenhamos: nestas circunstâncias, recusar OFICIALMENTE sem nada responder fica chato, e no plano online não seria muito diferente. Talvez até pior, justamente pelo fato das recusas também aparecerem lá para quem quiser ver.

Pensem bem.

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relatividade

Se uma criança de 3 anos de idade apodera-se de alguns lápis de cor, ou de um punhado de giz de cera de cores variadas, ou de alguns potes de guache, e põe-se rabiscar-borrar a parede da sua casa… Aí todo mundo fica estressado, paga-se sapo para a pobre criança (“Veja só o que você fez!”) etc.

Agora, se um adulto faz a MESMA coisa em papel, tela ou o que for – até mesmo em uma parede! -, e ainda floreia a sua criação com uma elaborada explicação do seu “processo criativo” (de preferência como um discurso o mais críptico possível, de cunho filosófico-metafísico), então é “arte”, é “GENIALIDADE”, ou o que mais queira a panelinha de basbaques denominar. Ah sim, ia me esquecendo: se puder, o adulto em questão ainda atribui à sua “obra” um título de igual cunho hermético-metafísico, para conferir o toque de “genialidade”; a panelinha sempre adora.

Este é o mundo da arte contemporânea tal como ela se apresenta por aí – onde até materiais como cocô já foram elevados à categoria de “obra de arte” (uma autocrítica deste “sinal dos tempos“, talvez?).

HUMOR, pessoal 😀

P.S.:

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Terra de Ninguém

A coisa chegou a um ponto em que “falta de educação” e “assédio moral” são sinônimos, onde o uso de arrogância moral (parte da qual decorrente daquilo que já chamei, um dia, de “síndrome do direito adquirido”) chega a colocar pessoas sob constrangimento. Publicamente, também. Arrogância protagonizada por todo tipo de gente, em diferentes locais e situações.

Falo da VIDA REAL.

Já senti na pele constrangimentos assim, bem como haver presenciado situações em que outras pessoas tiveram experiência semelhante: porque esta já é uma Terra de Ninguém. Sem volta.

Volta? Do jeito que a coisa anda… Só um milagre.

Fica aqui o desabafo.

#dinner #party #fisheye #events

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(des)encontros

O poema QUADRILHA, de Drummond, sintetiza de forma magistral os encontros e desencontros que fazem parte da vida – processos que também manifestam-se dentro do grupo retratado no livro de Maria Adelaide Amaral, Aos Meus Amigos (editado em 1992 e recentemente relançado pela Editora Globo): velhos amigos reúnem-se, após um grande tempo sem se verem – separados pela vida e pelas vivências -, tendo como agente desencadeador da reunião o suicídio de um amigo comum. Se bem que tal argumento, empregado no romance, havia sido anteriormente explorado no filme The Big Chill (no Brasil, sob o título O Reencontro), de 1983, dirigido por Lawrence Kasdan e estrelado por Glenn Close, William Hurt e Jeff Goldblum, entre outros.
A partir daí, a narrativa desenvolve-se em torno dos confrontos, encontros e desencontros experimentados pelo grupo, cada qual com suas idiossincrasias, inquietações, antigos ideais de juventude transformados (ou destruídos), desilusões e angústias existenciais àquela altura de suas vidas entradas na maturidade, tendo como elemento identificador comum o fato de pertencerem a uma determinada geração – no caso, a dos anos 60, época caracterizada por grandes transformações sócio-político-culturais, no Brasil e em várias partes do mundo, principalmente EUA e Europa.
E, onipresente a tudo, talvez o grande desencontro entre todos os personagens da trama: a paixão, jamais resolvida, entre Léo (o suicida) e Lena.
O título do livro é claro, neste sentido: trata-se de um livro dirigido e dedicado, pela autora, aos seus amigos – ou pelo menos às pessoas que vivenciaram e de alguma forma identificam-se nos dilemas e conflitos da geração em questão; se bem que, mesmo não necessariamente pertencendo-se a ela, o teor existencial da mensagem contida no livro ainda vale.
Por outro lado, estas tratam-se de sagas que talvez só sejam plenamente compreendidas por quem já passou dos 30 anos em diante – faixas etárias da idade adulta, da maturidade, nas quais, de uma forma ou de outra, acumulam-se vivências suficientes para uma compreensão satisfatória dos intrincados mecanismos dos relacionamentos humanos, bem como das voltas e reviravoltas que a vida dá (processos que dificilmente seriam plenamente compreendidos por um adolescente ou alguém nos seus vinte e poucos).
Li o livro de Maria Adelaide Amaral na época em que foi lançado e, desde então, me pego relendo-o várias vezes; simplesmente por identificar-me (em maior ou menor intensidade, conforme o caso) com alguns daqueles personagens, os quais são inspirados no próprio círculo de amizades da autora (incluindo a própria) – sob nomes e biografia forjados, e idéias rigorosamente verdadeiras. E, para todos os efeitos, pela experiência de vida que vai sendo acumulada através dos anos, é impossível não identificar algum dos desencontros e conflitos existenciais vividos por aquela gente em nós: eu, você, pessoas próximas… Tanto no poema de Drummond quanto no livro. Ou mesmo no filme.

©2007, Iracema Brochado

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