the first day of the rest of one’s life

Introducing this piece of Brazilian psychedelia performed by the Mutantes, just a curiosity picked on this big old Web: practically NONE of the band’s members was the author of the song shown on the video below, but a 16-yr-old boy (his age then, in that year of 1968), Paulo Girãowhose official website can be found here – which had bumped into the recording studio one fine day, initially expecting Caetano Veloso to record it. Since Mr. Veloso was unavailable by that time, away in a tour, the band offered themselves to record the piece instead. The rest is History, in which a song had also changed the whole life of a young songwriter, now also a producer and teacher, having freshly released a book on his lifetime of experiences gathered in the 60’s/70’s Brazilian musical (and political, as well) scenario.

UPDATE: a translation attempt for the lyrics’ original Portuguese version follows – just for testing out my translation skills =)

[ORIGINAL VERSION]

Glória ao Rei dos Confins do Além
(Paulo Girão)

Meia-noite e dez
Bateu nos Confins do Além,
Na cidade que parou
Pra saudar o Rei,
Que da guerra retornava
(Contra o mundo ele lutava!)
Para preservar os Confins do Além.

“Vamos para a rua
Vamos ver o Rei passar
E o nosso Soberano homenagear.”

Acordaram os que dormiam,
Levantaram os que viviam
Nas alcovas, sós,
Em profundo amor.
Todos se reuniram
nas calçadas, nos telhados,
na avenida, enfim.
Eis que chega o Rei,
Atenção para o sinal, e em coro, assim:

“Glória! Glória!
Ao Rei e Senhor, que tanto nos quer bem!
Glória! Glória!
Ao Supremo Chefe dos Confins do Além!”

“Abaixo João!
Mais abaixo com José!
Viva o nosso Dom Maior, o Eterno Rei!
Viva o Sol! Viva a Verdade!
Viva eu! Viva a cidade!
E vivamos nós pra saudar o Rei.
Abaixo Maria!
Mais abaixo com Sofia!
Viva o nosso Dom Maior, o Eterno Rei!
Viva a Lua e a claridade!
Viva a eletricidade!
E vivamos nós pra saudar o Rei.”

Se vocês soubessem
toda a falsidade que havia ali…
Povo de coitados!
Mas, pra Majestade ouvir, cantavam assim:

“Glória! Glória!
Ao Rei e Senhor, que tanto nos quer bem!
Glória! Glória!
Ao Supremo Chefe dos Confins do Além!”

[ENGLISH VERSION]

Glory to The King of the Confines of Beyond
(Paulo Girão)

Midnight and ten
Had struck in the Confines of Beyond,
In the city that stopped
To greet the King,
from the war returned
(Against the World he’d fought!)
to safeguard the Confines of Beyond.

“Let us go to the streets
Let us go to see the King go by
And to honor our Sovereign.”

Agreed the sleeping, raised the living
from the alcoves, alone
In deep love.
Everyone gathered in the sidewalks,
On the roof tops, in the avenue.
Here comes the King
Attention to the sign, in an unison like this:

“Glory! Glory!
To the King and Lord that deeply wishes us well!
Glory! Glory!
To the Supreme Chief of the Confines of Beyond!”

“Down with John!
Lower with Joseph!
Long live our Greater Knight, the Eternal King!
Hooray to the Sun! Hooray to the Truth!
Hooray to myself! Hooray to the city!
And may us live to greet the King.
Down with Mary!
Lower with Sophie!
Long live our Greater Knight, the Eternal King!
Hooray to the Moon and brightness!
Hooray to Electricity!
And may us live to greet the King.”

If one just could know
all the falsehood that there was…
Poor people of wretches!
Yet, for His Majesty to listen, they all sang:

“Glory! Glory!
To the King and Lord that deeply wishes us well!
Glory! Glory!
To the Supreme Chief of the Confines of Beyond!”

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felicidade

Parece-me que “felicidade” é um daqueles conceitos em torno dos quais todo cidadão comum puxa a brasa para sua sardinha. Trocando em miúdos: cada qual querendo entender “felicidade” do seu jeito, na acepção egocêntrica da coisa – sim, porque um ranço hedonisticamente egocêntrico é inevitável aí, no entendimento do homem comum… Afinal, TODO MUNDO quer ser “feliz” para o seu lado, não é?

Neste contexto, pode-se começar a entender o que John Lennon certa vez sintetizou, em letra sua: “Deus é um conceito pelo qual medimos nossa dor”. (Se bem que, quanto à “lista” enumerada na letra, com a inclusão de alguns “itens” até concordo, e de outros nem tanto – mas essa já é outra discussão, esta sim dando pano para muita manga… Não obstante a bombástica declaração “THE DREAM IS OVER”, traumatizando meio mundo em verdadeira ressaca pós-sixties)

Porque, enquanto estamos bem (material e pessoalmente, para ser mais exato), não sentimos tanta necessidade de nos voltarmos para as chamadas coisas do espírito. Agora, já quando o “açúcar” falta… Tome reza, choradeira, promessas, novena, terços, autoflagelações, japamalas e quantos métodos as religiões em geral disponibilizarem aos seus desesperados fiéis.

Sob tal contexto portanto, é pertinente o que John Lennon praticamente sintetiza nesta letra, quase como em um haikai… Para a imensa maioria das pessoas de fato, Deus não representa mais do que isso: um “conceito através do qual medimos nossa dor”.

Mas talvez aí o desafio seja o de trancender algo… Rever, remodelar o conceito de “felicidade”, colocando-a além e acima do entendimento do homem comum: não mais entendendo-a como uma mera satisfação dos sentidos, como verdadeira liberação.

Tal processo é uma questão de tempo e de experiência.

Mas afinal, partindo-se da discussão apresentada pelo filósofo britânico John Gray em seu ‘Cachorros de Palha’: o que verdadeiramente se busca, ‘felicidade’ ou ‘salvação’? (E há quem confunda os dois)

Na velha ordem politeísta, tais contorcionismos metafísicos eram irrelevantes.

what seemed to be lost, has been found