Brasília, 50 anos depois

[Sempre revirando meus alfarrábios, republico este artigo sobre o cinquentenário da cidade de Brasília – fundada em 1960 -, originalmente escrito para ser publicado em 2010 no portal MULTARTE Arte e Cultura Brasileira]

Brasília, 50 Anos Depois

“Tenho a impressão de que estou desembarcando num planeta diferente, não na Terra”.

A declaração é do astronauta russo Yuri Gagarin, primeiro homem a viajar para o espaço, quando visitou Brasília – então recém-inaugurada capital administrativa do Brasil – em 1961, para receber do presidente Jânio Quadros a medalha da Ordem do Cruzeiro do Sul. Isto em 61, apenas um ano depois da inauguração da cidade. Gagarin, no entanto, não viveria muito; faleceu em 1968, aos 34 anos de idade, durante um vôo de treino. Não viveria sequer para ver as transformações que a cidade teria, ao longo de cinco décadas de existência, “a cidade mais nova do planeta”, de acordo com matéria publicada no jornal italiano La Reppublica, sobre o cinquentenário de la capitale-bambina.

O engraçado é que, ao pensar sobre como escreveria este artigo, a frase de Gagarin veio a esta escriba que vos tecla quase como que “por osmose”, em uma pesquisa online pelos Googles da vida (sim, ironicamente pelo CIBERespaço, com o perdão de possíveis trocadilhos; definitivamente, a vida dá voltas), em uma reflexão sobre a perspectiva modernista que a Geometria trouxe para a Arte e para a formação dos espaços urbanos e domésticos do mundo, do século 20 em diante. A reflexão de alguém que simplesmente mora em Brasília, vivendo a cidade como ela é, a cada dia, longe das idealizações de alguns e do pessimismo de outros.

Assim, de maneira significativa, a declaração de Gagarin nos dá uma eloquente dimensão do impacto provocado pela modernidade das linhas urbanísticas e arquitetonicamente arrojadas da cidade então recém construída, somadas a uma engenharia incrivelmente intuitiva, décadas antes dos advento dos computadores na vida quotidiana.

Sem perder-se nos chavões já ditos (e desditos) sobre a cidade, embutidos em repetitivos bê-a-bás de livros didáticos escolares e de discursos políticos – filão ainda infelizmente inesgotável -, Brasília é uma cidade que, cinquenta anos depois, merece ser vista sob uma nova perspectiva, um novo olhar, após décadas de desgastes políticos e de indiferença litorânea.

Problemas? Sim, Brasília – também – os têm, como qualquer grande centro urbano no país e no mundo. E talvez seja esse o destino das grandes cidades: a turbulenta coexistência, através dos tempos, entre o lado grandioso, representado pela prosperidade, pelas atrações e glamour locais, e o lado deprimente caracterizado pelos menos desfavorecidos que vivem à margem da prosperidade alcançada por outros, em toda parte. Como declarou Lúcio Costa, o urbanista responsável pelo traçado em formato de avião como verdadeira pedra fundamental da cidade, em declaração ao Jornal do Brasil em 1984, observando a população da plataforma da rodoviária: “Isto tudo é muito diferente do que eu tinha imaginado para esse centro urbano, como uma coisa requintada, meio cosmopolita. Mas não é. Quem tomou conta dele foram esses brasileiros verdadeiros que construíram a cidade e estão ali legitimamente. É o Brasil… Eles estão com a razão, eu é que estava errado.” Assim são os grandes centros na vida real, através dos tempos, e Brasília não é diferente neste processo – somado à afluência, à convergência de gente vinda de muitos lugares, do país e também do mundo, onde alguns chegam para ficar e outros não, como em qualquer outro lugar do planeta.

brasília nasceu
de um gesto primário
dois eixos se cruzando,
ou seja, o próprio sinal da cruz

como quem pede bênção
ou perdão

Assim sintetiza o poeta Nicholas Behr, brasiliense de fato, sobre esta gênese candanga, o traçado original de Lúcio Costa.

Passados 50 anos – que só parecem reforçar ainda mais o seu significado -, a declaração de Gagarin possibilita dois tipos de interpretação, basicamente duas vertentes quanto à atitude perante Brasília: uma otimista, quase de fundo místico (geralmente explorada para fins políticos), daqueles que apostam no potencial da da cidade e na sua constante afluência de pessoas originárias dos vários cantos do país bem como de outras partes do mundo (posto que abriga embaixadas de diversos países), com suas respectivas bagagens culturais, e outra pessimista, dos que vêem a cidade com inconformismo, quiçá saudosismo dos tempos em que a simples perspectiva de uma mudança de capital não representava algum tipo de desestabilização a este ou aquele status quo. E, equilibrando-se sobre esta verdadeira gangorra balançada pelos altos e baixos dos estados de espírito e dos interesses de ordem político-econômica, Brasília tem atravessado estas cinco décadas – e outras mais, que passarão e sempre trarão perspectivas de mudanças, de transformações, de (re)construções e de (re)começos. Afinal as “tempestades”, mesmo as de “copo d’água”, passam, e a cidade continua a existir entre nós.

Novamente Nicholas Behr, capaz de sintetizar a plasticidade, a comédia e a tragédia brasilienses em versos, é quem diz:

não ficará carimbo
sobre carimbo

e carimbo sobre carimbo
reconstruiremos a cidade

sem carimbos

Iracema Brochado
Brasília, DF, 15/04/2010

#art #show line (Caravaggio)

Artes Visuais: monografia de conclusão de curso

O material aqui incorporado refere-se ao curso de Especialização lato sensu em Artes Visuais, que fiz – de outubro de 2009 a dezembro de 2010 – pelo SENAC-DF.

Esta é a monografia.

E este é o powerpoint preparado para o dia da defesa da monografia.

novo / new video

Editei e subi este vídeo no meu canal Youtube, hoje de manhã. Trata-se de uma tomada (devidamente editada) de celular feita na Embaixada da Indonésia em Brasília, em maio último, durante um evento cultural por lá realizado – evento inesquecível, dada a riqueza da cultura indonésia e a amabilidade de sua gente.

O vídeo mostra uma das facetas do evento: a apresentação de músicos nativos, onde “GAROTA DE IPANEMA” é executada no Angklung, uma espécie de xilofone nativo feito de bambu – no caso, uma verdadeira orquestra desse instrumento, a executar a conhecidíssima composição de Tom Jobim em uma interpretação encantadoramente harmoniosa e melódica.

À ocasião do evento, algumas fotos foram também tiradas.

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A new video has just been edited and uploaded on my YT channel: a shot from mobile (properly edited), on a cultural event taken at the Embassy of Indonesia in Brazil, on May. It was a truly memorable event, given the richness of the Indonesian culture as a whole, as well as their amiable people.

The video shows a facet of the event: a musical presentation in which native musicians perform “THE GIRL FROM IPANEMA” in the Angklung, a type of native xylophone built in bamboo – in this case, a true orchestra of this instrument, playing the well-known Brazilian Jazz composition in an enchantingly melodic interpretation.

By the time of the event, some photos had been also taken.

eventos 2012: retrospectiva (fotos) / 2012 events: retrospective (pics)

(fotos de Iracema Brochado e Carmen Fraga; montagens por Iracema Brochado)

ABERTURA: MOSTRA DE ARTE COLETIVA Lago Sul
coletiva de pinturas JANELA DAS EMOÇÕES Câmara dos Deputados
outros eventos artísticos no ano

Mostra coletiva de arte em comemoração do aniversário do Lago Sul (DF)

LINK PARA O CONVITE NO FACEBOOK

Dia 16 de agosto próximo, a XVIª Região Administrativa estará celebrando o aniversário do Lago Sul com uma série de eventos, que incluem uma grande exposição exclusivamente com artistas dessa região, tanto escultores quanto pintores.

CURADORA
Flávia Isa Obino Boeckel (perfil Facebook)

PORTAL
ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DO LAGO SUL

Até o presente momento, em torno de 54 artistas confirmaram participação na mostra:

Adriana Alves, Ambrosina Coradi, Angélica Bittencourt, Antonia Celia, Carmen Fraga, Cecile Martins, Celia Maldonado, Chico Metamorfose, Cristina Portella, Dilza Araújo, Diniz Felix, Dulce D´Assunção, Dulce Schunck, Elca Cascão, Eunice Monteiro, Eusanete Sant´Anna, Fernando Janot, Flávia Cortopassi, F. Caravellas, G. Sardin, Gildred Nascimento, Helvécia Moura, Huet Azevedo, Inez Campos, Iracema Brochado, Irany Poubel, Ivan Batista, Jeanne Maz, Lêda Watson, Lelo, Lia Zveiter, Liane Lopes, Linda Khodr, Lourdes Denicol, Lucilia Feu, Lucymar Melo, Marcia Mazzoni, Marcia Rosa, Marcos França, Mari Lasta, Mª Alice Prata, Marinêz Coral, Marlene Godoy, Moren, Nair Andrade, Nancy Safatle, Pat Bagniewski, Paulino Aversa, Ricardo Stumm, Sanagê, Solange Bogéa, Sy Fiori, Tania Dassow Dias, Theresa Neves, Vivianne Rocha

MAIS DETALHES SERÃO CONFIRMADOS. FIQUE LIGADO(A)!

One of these days

evento: coletiva JANELA DAS EMOÇÕES, em agosto

ARTISTAS PARTICIPANTES (ordem alfabética):

Beatriz Cavalcante
Carmen Fraga
Iracema Brochado
Raquel Schmitt
Renata Prata
Solange Lannes

(LINK PARA O EVENTO, NO FACEBOOK)

De portfolio: eventos

UPDATE 10/07: CONVITE OFICIAL

De portfolio: eventos

surpresa

Soube hoje, através do Twitter, que esta foto tirada ontem, por volta das 18h (e postada pela minha conta do Streamzoo), foi mencionada em um site chamado WHOSIN – que eu nem conhecia. Mas conferi, gostei do site como um todo, e aproveitei o ensejo para nele abrir uma conta.

Quando tirei esta foto, quis apenas captar esse pedaço de arco-íris que aparecia sabendo que, se não o fizesse imediatamente, ele desapareceria… Há anos que tenho o hábito de tirar fotos de nuvens, e crepúsculos (e eventuais arcos-íris – quando estes aparecem) durante as minhas caminhadas. Gosto de fotografar, mesmo (apesar de alguns vizinhos xaropes desprovidos de sensibilidade artística, que acham que estou dando uma de intrometida – só porque gosto de fotografar paisagens, naturais ou urbanas! #podeisso).

Claro que senti-me lisonjeada pela menção, e agradeci a gentileza.

Segue o link da menção, mais abaixo.

Via Flickr:
#photography #landscape #Random #streamzoo
Uploaded from Streamzoo
#today ‘s #sky (2): a piece of #rainbow

MENÇÃO/MENTION:
whosin.com/rainbows?item=4489328

vernissage JANELA DAS EMOÇÕES LBV-DF: fotos

Sábado foi o dia da vernissage da expo coletiva “JANELA DAS EMOÇÕES”, na sede brasiliense da Legião da Boa Vontade.

Vai aqui um apanhado de fotos tiradas durante o evento, transcorrido em um clima festivo e tranquilo.

Do painel logo à entrada da sala da exposição…

#collective #art #show (9) - quote on the wall

…passando pelas pessoas presentes (com a performance pianística de uma das artistas expositoras, Renata Prata).

resumo da vernissage / opening event's digest (2)

Para finalizar, uma amostra com algumas das obras expostas (incluídas as minhas, logo abaixo).

resumo da vernissage / opening event's digest (1)

resumo da vernissage / opening event's digest (3)

Uma janela para a arte: exposição coletiva na LBV-DF em maio

Na arte estão […] visceralmente unidos os dois aspectos […]: o seu lado techné – domí­nio consciente e intencional de meios com o objetivo explícito de atingir um fim pré-de­terminado – e ao seu lado “magia” – impulso de reconciliação com uma totalidade, ex­perienciada como radicalmente cindida.*

Beatriz, CarmenIracema, Raquel, Renata, Renato, Solange e Yesenia – pessoas oriundas de áreas tão distintas como Pedagogia, Administração, Arquitetura, Medicina e Jornalismo, mas que têm um ponto em comum: a ARTE. São diferentes talentos provenientes de diferentes lugares (inclusive do exterior) que se encontram na coletiva “JANELA DAS EMOÇÕES”, a ser realizada na sede brasiliense da Legi­ão da Boa Vontade, de 02 a 12 de maio próximo – com vernissage marcada para o dia 05, das 17:00 às 20:00h.

Somando-se às experiências já acumuladas, este grupo de artistas participantes vem trilhando um ca­minho sólido e promissor através da utilização de diversos materiais, técnicas múltiplas e texturas di­versificadas, variando entre o rigor acadêmico e o traço solto, mesclando o clássico e o contemporâ­neo.

Nestas “janelas” aparentemente tão distintas sua proposta resulta, no entanto, no supremo objetivo do evento que os une: o amor à expressão artística. Paixão que, por sua vez, promove a integração entre a emoção da criação artística e a visão – ou, talvez, revisão – filosófica do mundo que nos cerca. Portan­to, aqui, diferentes visões de mundo convergem em um ponto comum: o aparente paradoxo do empre­go “racional” das técnicas artísticas que leva à “magia” (tal como na citação acima) da reflexão e con­sequente reconciliação com o mundo e o Universo.

Assim, este evento convida o público a dele participar – e também a refletir.

A coletiva “JANELA DAS EMOÇÕES” ficará aberta ao público de 02 a 12 de maio, de segunda a domingo, das 08 às 20:00h. A LBV-DF situa-se na Asa Sul, SGAS 915, lotes 75 a 76, em Brasília, Dis­trito Federal.

Iracema Brochado

NOTA: convite também disponível no Facebook, clicando-se aqui.

*DUARTE, Rodrigo A. P.. Arte e Modernidade. Psicol. cienc. prof.,  Brasília,  v. 14,  n. 1-3,   1994.  Disponível em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98931994000100003&lng=pt&nrm=iso. Acessos em  10  abr.  2012.

CONVITE - expo coletiva LBV 2012 "Janela das Emoções"

quando o real e o figurado se encontram

Decididamente, Brasília é uma cidade onde, quando um cai, ninguém estende a mão.

E o mais grotesco é que vivi isso tanto no sentido puramente existencial quanto na acepção LITERAL da expressão.

Neste último, ocorrido há algum tempo, havia levado um tombo ao descer a escadaria de uma igreja (e a minha sorte é a de que o tombo só não foi pior por já haver descido quase todos os degraus, o que não impediu de deixar-me joelhos e canela doloridos por uns bons dias, além de uma esfoladura adquirida) e, a observar a uma certa distância – APENAS observando, sem NADA fazer – uma idiota qualquer, com aquela famosa “cara de paisagem”, limitou-se a perguntar: “Machucou?”

E isto em plena igreja, veja-se bem… Onde supostamente o dito “espírito cristão” deveria ser palavra de ordem.

O que não livra a cara de outras “crendices” em uma cidade que, entre outras coisas, vangloria-se como a “capital do esoterismo”.

P.S.:

A few more smiles of silent sympathy, a look of sympathy, a few more tender and gently words, a few more kind acts-all these will pave a long way in bringing happiness to those in sorrow. True sympathy means putting yourself in another’s place. To ease another’s pain and sorrow is to dispel your own.
(Swami Sivananda)

OM TAT SAT ओम् तत् सत्