the-dark-side-of (2)

Dedicated to all twit-addicts.

the-dark-side-of

Dedicated to all Facebook flatterers (who seems NOT to allow others to have even a single bit of constructive criticism, whether of the humorous kind or not) – plus some updates.

P.S.: (UPDATE july 11th 2012) for those who call critics like these ‘losers’ or some other demerit of their preference (as demonstrated in several comments posted to the videos), hopefully it should be expected to the former NOT to lead their adulation to the point of buying FB shares, lately. Otherwise, we shall see who might be the REAL loser, in the end :))))))

And then, one fine day…

sobre a inveja (crônica)

Para entender-se um pouco do mecanismo insidioso que a inveja representa, um bom passo é assistir e observar a trama e os personagens de Amadeus (1984), do cineasta tcheco Milos Forman (um dos meus favoritos, diga-se de passagem) – ou, pelo menos, leia-se a peça original do prestigiado e premiado dramaturgo inglês Sir Peter Schaeffer, no qual o filme inspirou-se. A propósito, este mesmo dramaturgo teve outras duas peças suas adaptadas para o cinema, anteriormente: Equus (1977) e The Royan Hunt of The Sun (1970), cujo título em português não lembro, se bem que o mesmo era exibido (e eu assistia) nas sessões coruja da vida, no meu tempo de garota.

Falando da peça Amadeus lembro-me ainda que a mesma, nos anos 80, foi montada no Brasil, com Raul Cortez (1932-2006) no papel de Salieri. Não assisti a essa montagem, infelizmente; mas, com um ator do porte de Raul Cortez no elenco, deve ter sido fantástico, uma vez que o saudoso – e extraordinário – ator era garantia de bons espetáculos. E Equus também foi brindada com uma montagem brasileira na década de 70, na mesma época em que o filme homônimo foi lançado.

Não me perderei aqui em comentários sobre a a peça Amadeus – adaptada em clima mais light às telas – ou a obra do dramaturgo inglês como um todo, assim como as características mais marcantes de suas peças (constantes, aliás, em qualquer boa peça teatral que se preze): diálogos densos e igualmente densa caracterização psicológica dos personagens, entre outros. E, de mais a mais, em um país como o Brasil, Teatro é – apesar de alguns bons momentos, naturalmente – um terreno inevitavelmente ingrato. Por outro lado, enquanto Forman “amaciou” Amadeus para o público de cinema, as versões cinematográficas de Equus e The Royal Hunt… (que não são do mesmo diretor, veja-se bem) permaneceram mais fiéis às respectivas versões teatrais originais.

Apenas comento sobre Amadeus, the motion picture (não resisti), este mais acessível; afinal, qualquer locadora minimamente sortida deve tê-lo em seu acervo, disponível para aluguel. Se bem que, por tratar-se de um filme tão bom, desses de que JAMAIS enjôo, tratei de devidamente incorporá-lo ao meu acervo particular de DVDs. Com um detalhe: a cópia de que disponho é a chamada versão do diretor, com alguns cruciais minutos a mais que acabam por desvendar uma nova dimensão tanto ao próprio enredo quanto aos olhos do espectador atento – diferentemente da versão veiculada nos cinemas no ano de sua estréia nos cinemas, e por mim assistida à época.

Na trama – e aqui chegamos ao ponto -, toda uma psicologia da inveja é esmiuçada, e não apenas através do músico Salieri, mas também de toda a concorrência da corte austríaca daqueles idos do século XVIII, que via no talento de Mozart uma verdadeira ameaça, por assim dizer.

Na versão veiculada por ocasião da estréia do filme, o tom maniqueísta é mais forte: Salieri, esse “monstro” medíocre e certinho minando aos poucos, com seu olhar seca-pimenteira, a energia do genial e indisciplinado concorrente.

Porém, na versão do diretor em DVD aqueles preciosos minutos a mais desvelam uma dimensão mais humana dos dois rivais (ou “inimigos íntimos”?), de suas respectivas condutas – e, sobremaneira, motivações pessoais. Desta forma, entende-se porque Salieri passou a odiar Mozart e como este por seu turno não era, a despeito de toda sua genialidade, florzinha que se cheirasse. Pois, como o próprio cartunista Henfil ( 1944-1988 ) resumiu, certa vez: “Arte e caráter não têm nada a ver uma coisa com outra. Infelizmente, ou felizmente”. Humanos feitos do mesmíssimo barro, no qual misturam-se virtudes, defeitos e limitações, enfim.

Desta forma, assim como Salieri, lá no íntimo de seu ser, reconhecia a genialidade de seu concorrente, a inveja é, como bem definiu alguém conhecido meu, certa vez, uma admiração azedada: no fundo, o invejoso admite os méritos do objeto de seu sentimento deletério, embora não dê o braço a torcer jamais.

Portanto, digamos que retifico a moral de uma antiga fábula, a qual apregoava que “a inveja não admite o mérito”: admite, sim – embora, repetindo, não dê o braço a torcer, preferindo antes puxar o tapete.

Porque, em nossa humanidade limitada e mesquinha, acabamos por perturbadoramente enxergar-nos muitíssimo mais em Salieri, por mais que não o desejemos: todos somos um pouco como ele. Ele está em cada um de nós, como realmente somos. E ele é de fato como autoproclama-se, apoteótico, o “santo padroeiro” da nossa mediocridade.

…E o caminhão de gás, alheio a tudo segue, impávido, assassinando Für Elise.

UPDATE: trabalho de pós-graduação, feito em 2010

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