eu, heim!

De uns tempos para cá, cheguei a algumas conclusões, em paz comigo mesma.

NÃO ME CONSIDERO “ARTISTA”; sou apenas alguém que, nas horas vagas, faz o que gosta, levando-se em conta o profundo desgaste que o termo “ARTISTA” tem sofrido nas últimas décadas (sim, DÉCADAS, pensando-se bem).

Dentro desse panorama de desgaste e de banalização – banalização esta que endemicamente alastra-se por diversas áreas da vida dita moderna -, de repente, qualquer um autodenomina-se “artista” (pior ainda em uma cultura como a nossa).

Se outros preferem “posar” e “formar opinião”, ao menos RESPEITEM quem não se vê obrigado a isso.

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desproporcional

Enquanto algumas pessoas parecem únicas, de um tipo que, quando forma feitas, perdeu-se o molde… Outros tipos de pessoas parecem verdadeiramente produzidas em massa, sistematicamente CLONADAS em série, logística e operacionalmente distribuídas com a finalidade específica de azucrinar a vida dos outros à sua volta.

Chega mesmo a parecer INTENCIONAL.

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O labirinto de Ângelo

[Republico este texto originalmente publicado no portal MULTARTE Arte e Cultura Brasileira, em 2002, sobre outro curta de Jorge Furtado, “Ângelo Anda Sumido”]

O labirinto de Ângelo

“Os muros, então, para que servem os muros? Pra impedir ladrões? Sim. Pra garantir a privacidade? Sim. Mas servem também para acabar com o direito natural do ser humano animal de ir e vir (um direito inclusive constitucional)”. Assim Marcelo Rubens Paiva discorre sobre o espaço público e urbano, em seu livro Feliz Ano Velho.

É justamente este aspecto da delimitação do espaço público, tanto no plano físico como no existencial, sobre o qual o curta ÂNGELO ANDA SUMIDO (Brasil, 1997) discorre. “Odisséia” ou “crônica” urbana já unanimemente denominada pela crítica, “ÂNGELO” demonstra os encontros e desencontros determinados pela delimitação cada vez mais evidente do espaço das grandes cidades; delimitação agravada pela realidade sócio-cultural que experimentamos nesta virada de milênio.

O enredo passa-se em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, mas poderia ser na sua cidade também – qualquer grande cidade repleta de lonely people, em qualquer parte do planeta. O enfoque do tema, o qual potencialmente resultaria pesado e mesmo amargo (o individualismo urbano e a fragmentação do espaço público) sob outros pontos de vista, é aqui apresentado de forma bem-humorada e espontânea, através de situações e personagens absolutamente familiares; tão banais que seguramente não haverá ninguém que não tenha se identificado em alguma coisa de tudo aquilo.

Mas serve também para suscitar a velha questão: até que ponto “o direito de cada um termina onde começa o direito do vizinho” – ainda que com um emaranhado de grades e cercas a representar, literalmente, este estado de espírito urbano por excelência?

Dois amigos se reencontram após longo tempo, e dispersam-se da mesma maneira como apareceram, seguindo suas vidinhas urbanamente individualistas. Cada homo sapiens no seu galho urbano. “E Ângelo, o que aconteceu com ele?”, pergunta-se o aflito espectador. O paradeiro de Ângelo adquiriu importância, a despeito dos lances narrados em primeira pessoa pelo amigo protagonista. A esta altura do campeonato, já não importa mais: a cidade grande os engoliu. Sempre acabamos engolidos pela cidade cedo ou tarde, nos encontros e desencontros que a vida nos traz. E fica a dúvida: foram as grades que separaram de fato os dois amigos, ou foram seus próprios egos urbanos, já predispostos? Onde termina uma coisa, e onde começa a outra?

“Dentadura é salvo-conduto; não saia de casa sem ela”. O edifício onde o amigo de Ângelo mora mais parece um verdadeiro presídio de segurança máxima, tal a quantidade de grades (e chaves para abri-las)… Outros destaques para a plasticidade cenográfica do curta (em uma linguagem semelhante ao de “Ilha das Flores”) como, por exemplo, no detalhe dos mapas da cidade refletindo-se sobre os personagens (como slides) e na sobreposição estilística de outros componentes mais escrachados como que servindo de reforço irônico às situações vividas pelos protagonistas – sem que a fita descambe no “pastelão” puro e simples, supremo desafio. Por fim, trilha sonora com música dos Replicantes.

No labirinto urbano, Ângelo e seu amigo perderam-se. Mas, “quem é vivo sempre aparece” um dia…

Iracema Brochado

Brasília, DF, 16/04/2002


ÂNGELO ANDA SUMIDO – Ficha técnica
Brasil, 1997 (35 mm, 17 minutos, cor)

Direção: Jorge Furtado
Produção executiva: Nora Goulart e Luciana Tomasi
Roteiro: Rosângela Cortinhas e Jorge Furtado
Direção de fotografia: Alex Sernambi
Direção de arte: Fiapo Barth
Música: Leo Henkin
Direção de produção: Leandro Klee
Montagem: Giba Assis Brasil
Assistente de direção: Amabile Rocha
Uma produção da Casa de Cinema de Porto Alegre
Elenco principal: Sérgio Lulkin (José), Antônio Carlos Falcão (Ângelo) e Carlos Cunha Filho (vigia na guarita).

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Topo Gigio e a fama

Pois é: até Topo Gigio apareceu no aclamado programa de TV norte-americano The Ed Sullivan Show. Qualquer pessoa minimamente informada sabe o que significava uma aparição, ainda que rápida, nesse programa: fama certa (o que, nos EUA, equivale a ganhar na loteria; não é como no Brasil), ou, no mínimo, um ponto prestigioso no currículo.

(E por acaso alguém do staff do jornal O Pasquim chegou a tanto, algum dia? Nem em sonhos…)

reflexão

Não faço parte dessa estética, digamos, escatológico-forense que tomou conta de determinados segmentos da arte contemporânea. (E os incomodados, que se incomodem – ui!)

Se de um lado pretendo reformular meu próprio relacionamento com a Arte (“puxar uma DR” com a mesma talvez, como dir-se-ia nestes dias e tempos), não significa que eu não tenha o direito de escolher o caminho ou linguagem nos quais me identifique mais.

E, na escolha que faço, sinto mais liberdade para criar e relacionar-me com a vida, as pessoas e a própria arte, refletindo-se a mesma liberdade na disposição para viver.

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TELAS / CANVASES//embedr.flickr.com/assets/client-code.js

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joio X trigo

Na dita mídia algumas pessoas sofrem de verdade, como nestes casos – enquanto noutros, parece-se aproveitar da condição influente exercida no momento, em um misto de mau gosto e indignidade (tome-se ainda a “cultura do coitadinho”, tão cara a estas plagas, como “agravante”).

Resumidamente, parece assim a coisa.

A questão é saber discernir.

A great #sunday #statigram #1millionusers

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